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Peça coloca Denise Fraga sozinha em cena

Estadão Conteúdo - Site
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Pela primeira vez, Denise Fraga está sozinha em cena. Acostumada a trabalhar com elencos numerosos, com mais de uma dezena de atores ao seu lado, a atriz agora encena o monólogo "Eu de Você". A escolha por um espetáculo solo poderia sugerir uma mudança de rumos na carreira. Ou uma necessidade de se adequar aos novos tempos - de orçamentos curtos e temporadas reduzidas. Mas não é nada disso o que está em jogo.

"Eu de Você" é uma espécie de síntese de um projeto antigo, que Denise põe em prática desde 2008, quando estreou "A Alma Boa de Setsuan". Para montar o texto do alemão Bertolt Brecht, e transformá-lo em um sucesso de público, a intérprete jogava com uma ideia: conciliar o humor, pelo qual ficou reconhecida, com um convite à reflexão. Como ser boa em um mundo em que é preciso competir pela sobrevivência?, questionava com a obra de Brecht.

O que muda nesta peça dirigida por Luiz Villaça é o formato. As histórias são mais curtas e os personagens vieram de episódios verídicos que a equipe de dramaturgia recolheu. Isso, porém, não altera o essencial. A intérprete volta a usar não apenas o riso, mas todo o seu poder de comunicação, para dialogar sobre assuntos encobertos pelo cotidiano frenético das grandes cidades. O que existe por trás dos funcionários sobrecarregados, das pessoas que já foram assaltadas, daquelas que vivem em condição de violência psicológica sem nem se dar conta disso? O que eu tenho a ver com isso?

Há uma personagem, Tânia, que funciona como uma espécie de fio organizador. Ela acorda cedo, tem de dar conta da casa e das crianças, e passa o dia trancafiada em um escritório tendo de lidar com um chefe obtuso. A partir dela, outras figuras vão surgindo, homens e mulheres quaisquer, com dramas a um só tempo comuns e extraordinários. Em meio a esses fiapos de narrativa, a dramaturgia também costura canções e trechos retirados de poemas ou romances. Tudo muito naturalmente, sempre sustentando um pacto de cumplicidade com quem assiste. É como se essa voz nos dissesse: Não estamos apartados da poesia - a beleza é também o que nos une, um lugar onde podemos nos reconhecer como semelhantes.

 

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