A defesa da atleta trans Tifanny Abreu, atacante do Sesi Vôlei Bauru, está acompanhando pessoalmente a tramitação de um projeto de lei, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que estabelece o sexo biológico como único critério para a definição de gênero de competidores em partidas de qualquer modalidade em território paulista.
Para convencer os parlamentares a se posicionar contra a iniciativa, o advogado Valdir de Carvalho Campos está distribuindo um dossiê com 21 páginas sobre a atleta.
A documentação, que também foi entregue para o JC, reúne carta de apoio da Associação Vôlei Bauru, atestado do departamento médico da entidade com informações sobre as condições fisiológicas e as desvantagens que Tifanny possui em relação às outras atletas, série histórica de exames de testosterona, exames de densitometria óssea, declarações e o resultado de vários jogos, mostrando que o desempenho da atleta é até abaixo das demais companheiras.
Valdir esteve na terça-feira (15) na Alesp e despachou o dossiê com lideranças partidárias e membros da Comissão de Direitos Humanos. "Todos os deputados estão nos recebendo muito bem nos gabinetes. Estamos entregando toda essa documentação, em mãos, para todos os parlamentares. Com esses laudos, fica claro que a atleta está em iguais condições e, às vezes, até abaixo quando comparada com as demais jogadoras", explica o advogado, que também é consultor do escritório Mandaliti Advogados.
Se aprovado em votação, o PL 346/2019, de autoria do deputado Altair Moraes (Republicanos), atingirá em cheio a atuação de Tifanny em quadras paulistas, já que vedaria a atuação dela em equipes do sexo oposto ao do nascimento.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
Uma audiência pública está sendo articulada na Comissão de Direitos Humanos para ampliar o debate do projeto na Assembleia. "Queremos mostrar esses números para a sociedade e ouvir os especialistas no assunto que vão comprovar se a Tifanny está em condições nos níveis do Comitê Olímpico Internacional", declara o advogado.
No mesmo dia da visita da defesa aos parlamentares, o deputado Altair Moraes pediu a suspensão da tramitação do projeto por 15 dias.
Na avaliação da defesa, a audiência pública e a entrega da documentação são atos importantes para combater a fundamentação do projeto de lei que, segundo Valdir Campos, se dá exclusivamente por reportagens.