Entrevista da semana

Um mestre na arte do Direito

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

A figura séria do advogado nem sempre é capaz de esconder a sensibilidade do pai e do marido, além do homem dedicado a fazer o bem ao próximo. Quem conhece Luiz Fernando Maia, sócio proprietário da L.F. Maia Advogados Associados, assim o define. Em 28 de outubro, ele comemora o 27.º aniversário de um sonho, a criação do escritório, que hoje considera como sua segunda família. Segundo Maia, ele foi a primeira pessoa jurídica a constituir sociedade de advogados na região de Bauru.

Composta por 37 profissionais, a equipe é responsável por uma carteira com mais de 100 empresas, locais e nacionais, o que o ajudou a se transformar em referência no Direito Empresarial.

Mas foi após a perda de seu primogênito em um acidente automobilístico, em 1998, que a vida mudou e a generosidade ganhou ainda mais espaço no dia a dia do advogado. Do luto, nasceu uma fundação assistencial, com o nome do filho e que hoje ajuda pacientes a se deslocarem para hospitais.

Bauruense criado em um prédio na rua Batista de Carvalho, Maia é o quarto filho de uma costureira e de um alfaiate e aprendeu cedo o valor do trabalho ajudando os pais, mas nunca se distanciou do estudo. Formado pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), ele é especialista em Direito Tributário, mestre em Direito Constitucional, além de articulista do JC, autor de livro e de mais de 50 artigos jurídicos.

Atuou ainda, por 15 anos, como professor em universidades de Bauru. 

JC - Antes do Direito, o senhor chegou a pensar em outras profissões? Por que se interessou pela advocacia?

Maia - Eu cheguei a prestar prova para o curso de geologia, mas me interessava mesmo pelo Direito. Meu irmão Adelson é engenheiro, Vicente é médico e Marcos arquiteto. Não havia tanta opção de cursos naquela época. Quando comecei no Direito, pensava até em ser delegado e prestar concursos, mas me apaixonei pela advocacia.

JC - Com quantos anos começou a trabalhar? E no Direito, quando iniciou a carreira?

Maia - Sempre ajudei meus pais, fazendo entregas de costuras, mas fui trabalhar mesmo depois dos 17 anos. Fomos privilegiados, porque quase todos os garotos já trabalhavam aos 12. Em 1976, seis meses após eu entrar na faculdade, passei a trabalhar na Tilibra. Comecei na produção e, aos 27 anos, já era gerente administrativo. Por causa da experiência, naquela época nem precisei prestar o exame, já tirei direto a carteirinha da OAB assim que saí da faculdade.

JC - E a sociedade de advogados, quando surgiu? Foram pioneiros na região?

Maia - Trabalhar na Tilibra me deu grande percepção sobre o mercado empresarial e virou um sonho montar a sociedade. Eu fiz a proposta e passei a trabalhar como terceirizado para eles, em um prédio na avenida Duque de Caxias. Naquela época, não existia sociedade de advogados, mas foi uma iniciativa vista com bons olhos, até por ser mais econômica. Fomos a primeira sociedade de advogados da região de Bauru. Só havia em cidades maiores, como Campinas. E, acredito que por este precedente, crescemos rápido. Além da Tilibra, a Faber Castell e a Nossa Caixa viraram nossos grandes clientes na época.

JC - Qual o segredo para o sucesso na gestão do próprio negócio?

Maia - Eu procuro valorizar os advogados, somos uma família e dependo deles. Aqui, cada um tem sua sala, para ter mais privacidade e atender melhor, além de carro automático para viajar. Tenho uma preocupação de pai, sempre ligo perguntando se chegaram bem de viagens. Eu queria fazer até mais por todos, mas o financeiro impede, hoje. Sempre fizemos grandes comemorações aos fins de ano. Eu juntava verba desde janeiro para hospedar os funcionários e suas famílias em um resort. Outro ponto positivo do escritório é ter ao lado meu filho Guto, minha nora e minha esposa trabalhando comigo. 

JC - O senhor se casou aos 20 anos. Qual foi seu maior desafio como pai e marido até aqui?

Maia - Ligia e eu temos 41 anos de casados. Ela é meu pilar, minha grande companheira. Em 1998, tivemos que reaprender a viver. Meu filho Nando, de 20 anos, cursava medicina e sofreu um acidente automobilístico em Catanduva. Para superar a perda, eu procurava trabalhar sem parar e também nos apegamos ao espiritismo. Em 1999, criei a Fundação Luiz Fernando Maia. O meu salário de professor ia todo para lá. É um trabalho assistencial, de transporte de pacientes para hospitais da região.

JC - O que o senhor, que é especialista em Direito Tributário, pensa a respeito da reforma tributária?

Maia - É temerária uma reforma do modo como estão propondo. Precisa ser mais ampla e pensada, porque o sistema tributário do Brasil é equivocado. A repartição precisa incentivar estados a serem mais produtivos. E o patrimônio, que é algo improdutivo, é pouco tributado. Ninguém fala em criar imposto sobre as grandes fortunas, que estão concentradas na mão de 2% da população.

JC - Quem é o Maia por trás da figura do advogado sério?

Maia - Uma pessoa simples, uma cara família e que gosta de coisas de velho (risos). Gosto de comer fora, escutar um blues alto em casa, passear nos shoppings e até de ir ao supermercado com a minha esposa.

JC - Projetos futuros?

Maia - No trabalho, quero apostar em projetos que ficaram para trás, na área de informatização do Direito Tributário. Na vida pessoal, quero buscar em mim um espírito mais aventureiro. Gostaria muito de viajar para Portugal, nunca saí do Brasil! Também tenho ideia de comprar um jipe para passear, mas estou amadurecendo isso tudo...

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