Rio de Janeiro - Os ex-deputados estaduais do Rio de Janeiro Paulo Melo e Edson Albertassi, ambos do MDB e presos sob acusação de corrupção, foram conduzidos na quinta-feira à Delegacia de Homicídios da Capital, no Rio de Janeiro, para depor como testemunhas no inquérito que investiga as mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018, no centro do Rio de Janeiro.
Depois de prender os dois acusados de praticar os homicídios, em março de 2019, agora a Polícia Civil tenta identificar os mandantes. Em setembro, a então procuradora-geral da República Raquel Dodge denunciou o ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), Domingos Brazão, e outras quatro pessoas por obstrução da investigação sobre os homicídios.
BRAZÃO
A expectativa da polícia é de que os ex-deputados ajudem a esclarecer o suposto envolvimento de Brazão no crime. O fato foi denunciado com exclusividade pela Folha de S. Paulo. Brazão Ele exerceu o cargo de deputado estadual por cinco mandatos, de 1999 a 2015, quando foi indicado para conselheiro vitalício do TCE-RJ. Ele exerceu esse cargo até 2017, quando foi preso na Operação Quinto do Ouro, em que a Polícia Federal investigou o pagamento de propina a conselheiros.
Segundo apurou a Folha, a Procuradoria-Geral da República afirmou em denúncia enviada ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que o político Domingos Brazão "arquitetou o homicídio da vereadora Marielle Franco e visando manter-se impune, esquematizou a difusão de notícia falsa sobre os responsáveis pelo homicídio." A denúncia teria sido feita por Raquel Dodge, quando era procuradora-geral.
OUTRO LADO
Melo e Albertassi não se pronunciaram sobre o depoimento. O delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa, afirmou que a oitiva dos dois ex-parlamentares pode render informações relevantes. "Nós temos algumas linhas (de investigação) que nós seguimos, e uma delas é ligada a uma motivação política (para o crime)", afirmou. Ele, no entanto, não confirmou se há a ligação de Domingos Brazão que já foi ouvido em junho deste ano.