Por dez votos a quatro, vereadores rejeitaram a abertura de Comissão Processante (CP) contra o prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD), nesta terça-feira (29), na Câmara Municipal. Conforme o JC noticiou, Gazzetta era alvo de representação protocolada por Coronel Meira (PSB), que alegava que o prefeito teria descumprido artigos da Lei Orgânica do Município ao não permitir seu secretário de Obras de comparecer em reunião com moradores convocada pelo coronel em 15 de outubro. Com a rejeição, o processo será arquivado.
O pedido de abertura da CP foi lido antes do início da sessão ordinária e debatido por todos os parlamentares presentes, que fizeram uso da fala como forma de explicarem o voto.
Foram favoráveis a abertura da Processante os vereadores Chiara Ranieri (DEM), Telma Gobbi (Solidariedade), Yasmin Nascimento (PSC) e Mané Losila (PDT). Votaram contra Roger Barude (Cidadania) Serginho Brum (PSD), Sandro Bússola (PDT), Fábio Manfrinato (PP), Carlão do Gás (MDB), Pastor Luiz (PRB), Marcos de Souza (PP), Milton Sardin (PTB), Natalino da Silva (PV) e Lucas Basso (PSB), que assumiu o cargo no lugar de Meira exclusivamente para votar, já que, na condição de denunciante, o vereador não estava impedido.
Já o presidente da Casa José Roberto Segalla (DEM) só votaria em caso de empate, o que não ocorreu. Os parlamentares Ricardo Cabelo (Cidadania) e Luiz Carlos Bastazini (PV) não compareceram ao plenário e alegaram motivos de saúde.
Para a instauração da CP, que poderia culminar com cassação, seria necessário que a maioria dos parlamentares presentes em plenário (50% mais um) votassem favoravelmente ao pedido.
TENSÃO
Os trabalhos foram marcados por tensão. Antes dos debates sobre o tema em votação, um ofício com explicações e pedido de desculpas, por parte do secretário de Obras Sidnei Rodrigues, foi lido em plenário.
Carlão e Markinho também chegaram a concentrar esforços para tentar convercer Gazzetta, por meio de ligações, de ir até a Câmara, pessoalmente, a fim de explicar o suposto mal entendido. Isto porque, Meira prometeu aos vereadores em questão que retiraria, na mesma hora, a representação, se o prefeito comparecesse ao local. Os debates duraram quase 3 horas, mas o prefeito não apareceu.
Líder do governo na Câmara, Markinho usou a tribuna para reforçar aos colegas que houve falha técnica do Executivo na interpretação do ofício sobre a reunião enviado por Meira, que era convocação e teria sido entendido como convite. Ele considerou ainda que Sidnei Rodrigues cumpria atividades fora do expediente na data da reunião, porque estava oficialmente em férias.
Após o resultado favorável no pleito, Markinho considerou que não havia o que comemorar. "O secretário estava em férias e já foi marcada outra reunião, não havia necessidade disso tudo. Essa Casa tem que convergir para debates de projetos importantes, e não gastar energia para cassar o prefeito, por causa de ausência em uma reunião. Podemos deixar de receber investimentos no município ao criar uma instabilidade política", pontua.
ADIANTE
Já Meira lamentou a derrota, mas disse que levará a denúncia ao Ministério Público. Ele afirma que anexará na representação o resultado da ata de votação e um ofício enviado à ele, em nome do prefeito, no dia 15 de outubro, que justificaria a ausência de Sidnei no encontro com moradores por causa de uma reunião extraordinária no gabinete marcada no mesmo dia.
"Ficou evidente o desprezo do prefeito com a Casa, ele poderia ter vindo e resolvido tudo.Tem dez aqui que acreditam nele, vou fazer o quê? Tenho indícios de que essa reunião não aconteceu. Agora, caberá à polícia civil investigar", finaliza Meira.
JANELA: O processo de debates e votação da CP duraram quase 3 HORAS