Internacional

Chile desiste de Cúpula do Clima

Nina Chestney
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - A chefe da área climática da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que seu secretariado está explorando um leque de alternativas para sediar a rodada de negociações sobre o clima em dezembro depois de o Chile desistir de receber o evento.

O encontro de cúpula, denominado COP25, estava marcado para acontecer em Santiago, capital chilena entre 2 e 13 de dezembro, mas o país desistiu de receber o evento após várias semanas de violentos protestos no país.

"Fui informada mais cedo hoje sobre a decisão do governo do Chile de não sediar a COP25 diante da difícil situação que o país está passando", disse a secretária-executiva para Mudança Climática da ONU, Patricia Espinosa, em comunicado.

"Estamos atualmente explorando opções alternativas de anfitriões", acrescentou ela.

MAIS DESISTÊNCIA

O Chile desistiu de sediar uma cúpula comercial da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) em novembro e a cúpula climática COP25 em dezembro por causa das várias semanas de tumultos violentos, anunciou o presidente Sebastián Piñera nesta quarta-feira.

A cúpula da Apec reuniria 20 líderes mundiais, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, entre 16 e 17 de novembro. Já a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP25) deveria acontecer entre 2 e 13 de dezembro.

"Esta foi uma decisão muito difícil, uma decisão que nos causa muito sofrimento, porque entendemos plenamente a importância da Apec e da COP25 para o Chile e para o mundo", disse Piñera em um comunicado curto no palácio La Moneda de Santiago.

MORTOS E PRESOS

Tumultos, incêndios criminosos e protestos contra a desigualdade ocorridos neste mês deixaram ao menos 18 mortos, 7 mil presos e prejuízos de cerca de 1,4 bilhão de dólares para empresas chilenas. O metrô da capital sofreu ao menos 400 milhões de dólares de prejuízos. Entidades extra-oficiais contestam esses números e dizem que os mortos são 20 e os presos chegam a 9 mil.

Em um cenário no qual a popularidade de Piñera atingiu seu menor índice, os chilenos estão convocando novos protestos e a Organização das Nações Unidas (ONU) está enviando uma equipe para investigar alegações de abusos de direitos humanos.

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