Turismo

Rio das Flores: relíquias do barão

Liz Batista
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Um pórtico pintado de amarelo e enfeitado com azulejos azuis e brancos de inspiração portuguesa dá as boas vindas a quem chega a Rio das Flores, cidade de apenas 8 mil habitantes. Em sua área mais rural, mais especificamente no quilômetro 25 da Estrada do Abarracamento (RJ-135), fica a Fazenda União (fazendauniao.com.br), retrato da pompa e riqueza em que viviam a nobreza e aristocracia brasileira no auge do ciclo do café no Vale do Paraíba. Hospedar-se no magnífico casarão, de 1836, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, é reviver essa opulência.

A fazenda, que pertenceu ao Visconde de Ouro Preto, um dos políticos mais importantes do Segundo Império (e próximo a pessoas como D.Pedro II), serviu de locação para novelas e filmes de época. Além do rico museu de arte sacra com peças dos séculos 18, 19 e 20, o local mantém coleções de objetos antigos e mobiliário preservado, que remontam hábitos e costumes curiosos daquela época. A sala de jantar abriga uma extensa coleção de pratos brasonados que pertenceram a nobres famílias do Império.

Xícaras de chá com divisórias para impedir que volumosos bigodes fossem mergulhados no líquido quente, perdendo seu penteado, estão expostas numa cristaleira. A qual fica próxima à sala onde esses mesmos cavalheiros se reuniam para conversar, mascar tabaco, fumar cachimbo e encher escarradeiras com cusparadas para exibirem a boa saúde (em tempos de tuberculose, conhecer a saúde de um convidado era uma preocupação).

Enquanto isso, na luxuosa sala de jantar, uma peça dourada que lembra uma tesoura guarda a memória de uma época marcada pela religiosidade e superstição: o objeto era usado para cortar e apagar a chama das velas que iluminavam a sala.

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