Buenos Aires - As reações de Jair Bolsonaro às eleições no Uruguai e na Argentina não foram bem recebidas pelos vizinhos. No Uruguai, o candidato de centro-direita Luis Lacalle Pou, que disputa o segundo turno em 24 de novembro e foi endossado pelo brasileiro, tentou se afastar do apoio. "Não me parece uma coisa boa que diferentes políticos, e nesse caso um governante, opinem sobre o que pode acontecer em outro país", afirmou ao jornal El Observador.
Ao jornal O Estado de S. Paulo na terça (29), Bolsonaro declarou que nunca teve problemas com o atual presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, mas que prefere vitória de Lacalle Pou, com quem disse ter mais proximidade no pensamento econômico.
O Uruguai é desde 2005 comandado por coalizão de centro-esquerda, a Frente Ampla. O candidato do grupo, Daniel Martínez, venceu o primeiro turno no domingo (27), mas terá que disputar segunda rodada contra o senador oposicionista, da sigla de centro-direita Partido Nacional.
O governo uruguaio convocou nesta quinta-feira (31) o embaixador brasileiro em Montevidéu, Antônio Simões, para que ele dê explicações sobre as declarações de Bolsonaro.
ARGENTINA
As críticas do brasileiro ao presidente eleito da Argentina, o peronista Alberto Fernández, também repercutiram mal. Fernández venceu o candidato de centro-direita, Mauricio Macri, que buscava a reeleição e tinha recebido apoio de Bolsonaro.
O chanceler da gestão de Macri, Jorge Faurie, afirmou à imprensa local ter enviado uma "carta pessoal" ao embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sergio Danese, para condenar as críticas da família Bolsonaro à vitória de Alberto Fernández.
Além de ter dito que tanto Bolsonaro quanto seu filho Eduardo Bolsonaro proferiram "frases inapropriadas", Faurie pediu "maior prudência" às declarações sobre o governo eleito na Argentina.