Curitiba - O ministro da Justiça, Sergio Moro, defendeu nesta sexta-feira (1) a federalização das investigações envolvendo o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, de modo que o caso fosse assumido pela Polícia Federal.
"Considerando a demora de identificação dos mandantes e essas reiteradas tentativas de obstrução da Justiça, talvez seja o caso realmente de federalização", declarou.
Reportagem do Jornal Nacional de terça-feira (29) apontou que um porteiro (cujo nome não foi revelado até agora) disse à Polícia Civil que, no dia do assassinato da vereadora, Élcio Queiroz, ex-policial militar suspeito de envolvimento no crime, afirmou na portaria do condomínio que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal. Na mesma reportagem a emissora reconheceu que o presidente, então deputado, estava em Brasília na data. Mesmo assim o vazamento da investigação acendeu polêmica sobre ética jornalística e recebeu críticas de Bolsonaro, ministros e familiares.
Marielle e Anderson foram mortos no dia 14 de março de 2018. A versão foi refutada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que afirmou que a versão apresentada no depoimento não corresponde aos fatos apurados durante a investigação.
Nesta quinta, a Folha de S.Paulo mostrou que há problemas na perícia encomendada pela Promotoria.
Moro também afirmou que o governo tem assegurado a autonomia dos órgãos que apuram os fatos. "O Ministério da Justiça não trabalha nessas investigações", disse.
O ministro respondeu a questionamentos envolvendo a fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que disse, nesta quinta-feira (31), que poderia haver uma reedição do AI-5 caso a "esquerda radicalizasse". "Isso foi ontem, o deputado já pediu desculpas, assunto encerrado", declarou.