Pela primeira vez, a Polícia Militar (PM) dá detalhes sobre o caso que culminou nas mortes do sargento Luciano Agnaldo Rodrigues e do cabo e judoca Mário Sabino Júnior, no último dia 25, em Bauru. Uma das principais revelações é que, segundo o Comando, a cabo Águida Heloísa Barbosa Rodrigues, "ao que tudo indica", não efetuou nenhum disparo.
Até por conta do disso, ainda de acordo com as informações da PM, a viúva do sargento "não foi recolhida em momento algum". A policial está em "afastamento regulamentar" por conta do luto e recebe apoio psicológico.
Os questionamentos feitos pelo JC e que refletem grande parte das dúvidas da população sobre o caso foram respondidos por meio de um comunicado assinado pelo coronel Robson Douglas de Souza, comandante do Policiamento Interior 4 (CPI-4), com sede em Bauru.
Confira, na íntegra, o pronunciamento oficial:
JC - Com quantos tiros o sargento Luciano Agnaldo Rodrigues e o cabo Mário Sabino Júnior foram mortos? Em qual região do corpo foram atingidos?
Comandante Robson Douglas de Souza - Não nos é possível afirmar, por enquanto, qual seria a exata quantidade de tiros e as regiões do corpo que foram atingidas. Ambas as respostas somente serão possíveis depois que recebermos, para juntada aos autos do inquérito policial militar, os laudos periciais da Polícia Técnico-Científica, compreendendo o Instituto de Criminalística e o Instituto Médico Legal, pois somente os peritos têm condições de afirmar, em especial, quantos são os orifícios de entrada bem como as regiões do corpo atingidas, de ambos os militares. O que se pode afirmar, até o presente momento, é que, na verificação preliminar que se deu na ocasião dos fatos, aparentemente, o sargento Luciano Agnaldo Rodrigues teria sido atingido por quatro disparos e o cabo Mário Sabino Júnior por dois disparos.
JC - Como e onde estavam os corpos quando outros colegas chegaram para atender a ocorrência?
Comandante Robson - O corpo do sargento Agnaldo estava caído atrás do carro do cabo Sabino e o corpo deste estava caído cerca de 15 metros distantes, em direção ao final da rua.
JC - A cabo Águida Rodrigues fez algum disparo? Com qual arma? Contra quem?
Comandante Robson - Ao que tudo indica nenhum disparo e, conforme os levantamentos preliminares, ela não portava arma de fogo na ocasião.
JC - Ela estava armada no momento da ocorrência?
Comandante Robson - Conforme os levantamentos preliminares, não.
JC - A cabo passou por exame residuográfico?
Comandante Robson - Este foi um dos exames solicitados à Polícia Técnico-Científica. Estamos aguardando o laudo.
JC - Ela foi ferida na ocorrência?
Comandante Robson - Aparentemente não, mas foi encaminhada para exame de corpo de delito. Estamos aguardando o laudo.
JC - Além dos três, havia mais alguém no local no momento dos disparos?
Comandante Robson - De acordo com os levantamentos preliminares, não, e, até o presente momento, não temos condições de afirmar se havia ou não.
JC - Quais objetos foram apreendidos na ocorrência?
Comandante Robson - Uma pistola calibre ponto 40, que estaria na posse do cabo Sabino; um revólver calibre .38, que estaria na posse do sargento Agnaldo; os aparelhos celulares de ambos e também o da cabo Águida; o veículo da cabo Águida; um carregador para pistola calibre ponto 40, com oito munições; seis estojos calibre ponto 40 (corresponde a munições deflagradas); uma munição calibre 38 e quatro estojos calibre 38.
JC - Quantos carros estavam no local?
Comandante Robson - Três veículos.
JC - A cabo Águida esteve recolhida administrativamente em alguma unidade da PM em Bauru em algum momento após a ocorrência? Se sim, quando, onde e por quanto tempo?
Comandante Robson - A Cabo Águida não foi recolhida em momento algum, porque, até o momento, não se verifica qualquer razão que aponte para a necessidade desta medida. Encontra-se em gozo de luto.
JC - Em que fase está o inquérito da PM? A corporação já recebeu os laudos periciais?
Comandante Robson - O inquérito policial militar está em trâmite e aguardando a chegada dos laudos periciais.
JC - A prisão dela pode ser determinada em algum momento do inquérito? Em que circunstâncias?
Comandante Robson - Sim, administrativamente ou por decisão judicial, desde que surjam indícios de participação em resultado criminoso, o que não há até o momento, e estejam presentes as circunstâncias e os requisitos legais que autorizam tal medida.
JC - Onde a cabo Águida estaria neste momento?
Comandante Robson - Encontra-se em gozo de luto, portanto, em afastamento regulamentar.
JC - Ela está recebendo algum tipo de assistência da corporação?
Comandante Robson - Sim. O CPI-4 a está assistindo por meio do seu Núcleo de Atenção Psicológica e Social, conduzido por profissional graduado em Psicologia.
JC - Ela voltará ao trabalho? Quando? E será na mesma função?
Comandante Robson - Após o luto, ela deverá iniciar fruição de férias, que já estavam definidas desde o ano passado, conforme Plano Anual de Férias da Polícia Militar. Após estes afastamentos regulamentares, não havendo motivo que contraindique, ela deverá retornar às suas atividades normais.
JC - Quando as informações serão remetidas à Polícia Civil?
Comandante Robson - Tratando-se de fato que envolve apenas militares da ativa (militar em situação de atividade) e até o momento não havendo, ainda que minimamente, qualquer indício de envolvimento de civil, o caso é de crime militar, nos termos da alínea A, do inciso II, do Artigo 9.º, do Código Penal Militar, cuja apuração se dá pela Polícia Judiciária Militar, nos termos dos artigos 8.º, alínea A, e 9.º, do Código de Processo Penal Militar, ambas leis federais em vigor em todo o território brasileiro, não sendo o caso de apuração por outra instituição, conforme determina o Artigo 144, § 4º, da Constituição da República Federativa do Brasil, e o Artigo 140 da Constituição do Estado de São Paulo.
JC - A cabo Águida dará depoimento à Polícia Civil na próxima terça-feira?
Comandante Robson - Não temos conhecimento disso.