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Borracha branca

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Volto de férias com uma frustração: não visitei Brasília. A coisa toda está tensa e divertida por lá. Todo dia um agito. Um conflito. Alguns aflitos. E dá-lhe recuo após fortes reações.

A fala polêmica da semana foi protagonizada pelo campeão de votos Eduardo Bolsonaro que, do alto dos seus 35 anos, ao comentar hipotética radicalização da esquerda contra o governo do pai, considerou que a "resposta" poderia ser um novo AI-5 (o mais bruto ato da ditadura que, no final de 1968, se é que 1968 acabou, fechou o Congresso, censurou obras e cassou políticos). Detalhe: vigorou até outubro de 1978.

Eduardo conseguiu unir esquerda e direita (se é que ainda existem), civis e militares (que sim, convivem) contra a declaração - até porque o eloquente filho de Jair só cumpre mandato de deputado justamente graças à sua legítima vitória nas urnas democráticas.

Se o propósito de Eduardo foi chamar atenção, ou desviá-la, podia lançar mão de outro expediente. Talvez emprestar uma das muitas canetas que o pai precisa usar diariamente e, com ela, escrever uma música para gravá-la em vídeo. Só voz e inspiração.

Apenas não pode batizá-la de "Caneta Azul" porque esse hit famigerado já existe e faz improvável sucesso na voz chorosa do maranhense Manoel Gomes. Talvez possa Eduardo compor algo como "Borracha Branca", singela canção de homenagem ao artefato capaz de apagar disparates disparados em dias desastrados.

Dias ruins e bons, mas livres. Sem torturas institucionalizadas. Justamente porque não há nenhum novo Ato Institucional Número 5 vigente. Eduardo meio que se desculpou e, em receptivos programas da TV, reconheceu ter fornecido desnecessária munição à oposição.

Vida que segue. O Brasil precisa crescer. Certos políticos, também.

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