Internacional

América do Sul vive momento caótico e onda de protestos

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Outubro de 2019 deverá ficar marcado como um dos meses mais turbulentos da história recente da América do Sul. Novembro começa com várias nações em conflitos.

Ao longo do último mês, crises pipocaram em diferentes cantos do subcontinente:

1. Equador 

No dia 3 de outubro, uma onda de protestos eclodiu após o governo extinguir subsídios sobre combustíveis, atendendo a exigências de ajuste fiscal em troca de empréstimos do FMI (Fundo Monetário Internacional). Grupos indígenas ocuparam a linha de frente das mobilizações. Em meio aos enfrentamentos o presidente Lenín Moreno decretou um estado de emergência e transferiu a capital do país de Quito para Guayaquil, mas se viu forçado a suspender a retirada dos subsídios no dia 14.

2. Chile

Chilenos foram contra o aumento da tarifa do transporte público. O presidente Sebastián Piñera decretou um estado de emergência e impôs um toque de recolher em partes do país no dia 19. A violência nas ruas deixou ao menos 20 mortos.

A reação desproporcional do governo colocou lenha na fogueira da revolta popular: no dia 25, mais de 1 milhão de pessoas tomaram as ruas da capital, Santiago.

3. Peru

O Congresso do Peru amanheceu fechado em 1º de outubro, um dia depois de o presidente Martín Vizcarra acionar um dispositivo constitucional que permite a suspensão do poder Legislativo. O Congresso não reconheceu a legitimidade da decisão de Vizcarra e votou por seu afastamento; em meio ao impasse institucional, o país chegou a ter dois presidentes em exercício por algumas horas. Enfim, Vizcarra conseguiu se manter no poder, e agora o país se prepara para novas eleições legislativas em janeiro.

4. Bolívia 

Na Bolívia, o presidente Evo Morales conquistou a reeleição para um quarto mandato consecutivo no dia 20, mas o candidato opositor Carlos Mesa não reconheceu o resultado. Houve protestos em diferentes cidades. A OEA (Organização dos Estados Americanos) e a ONU (Organização das Nações Unidas) recomendaram a realização de um segundo turno, e o governo convidou observadores internacionais a realizarem uma auditoria eleitoral, que ainda deve ocorrer.

5. Argentina

O peronismo volta ao poder após vitória de Alberto Fernández e vice Cristina Kirchner nas eleições de domingo (27). Eles derrotaram o presidente Mauricio Macri no primeiro turno, impulsionados pelo descontentamento da população com o aumento dos níveis de inflação e de pobreza. Fernández e Macri foram cordiais ao iniciar a transição do governo; a posse está marcada para 10 de dezembro. A animosidade com o resultado veio do Brasil. Bolsonaro passou os últimos meses fazendo campanha aberta contra Fernández? O desentendimento entre os líderes dos dois maiores países sul-americanos pode pôr em risco as parcerias comerciais do Mercosul.

Comentários

Comentários