Há uma revolução em curso que tem tudo para mudar o mundo da forma como o conhecemos. No final do século 17, foi a máquina a vapor. Desta vez, serão os robôs, integrados em sistemas ciberfísicos, os responsáveis por uma transformação radical.
Os especialistas têm um nome para isso: quarta revolução industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. As empresas já embarcaram nesse movimento, a chamada indústria 4.0, com a implantação de robôs nas mais diversas funções, e os trabalhadores não podem ficar para trás. Precisam se qualificar para não entrarem na lista do desemprego. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em abril deste ano, aponta que no Brasil 35 milhões de trabalhadores formais correm risco de perder seus empregos para a automação até 2050.
A economia desaquecida é responsável por parte deste problemão que reverbera em outras áreas: saúde, assistência social, segurança e seguridade social. A outra parte é a falta de qualificação dos trabalhadores brasileiros. E sem qualificação, fica ainda mais difícil para o trabalhador fazer frente à indústria 4.0.
"Queiramos nós ou não, a 4.ª revolução industrial já está em curso. Já ocorre, por exemplo, em indústrias químicas e farmacêuticas no Brasil, no Estado de São Paulo e na nossa base sindical", conta Edson Dias Bicalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas de Bauru e Região, secretário geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar) e integrante do Comitê Executivo da IndustriALL, entidade que representa cerca de 50 milhões de trabalhadores dos setores químico, têxtil, de mineração, de energia e metalúrgico em 140 países.
No final do ano passado, inclusive, Bicalho participou de um fórum mundial, organizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e realizado na Suíça, sobre os desafios para o trabalho decente e produtivo frente à digitalização nas indústrias químicas e farmacêuticas. "A indústria 4.0 é uma pauta presente no nosso Sindicato, na Fequimfar e nas entidades sindicais de maneira em geral. Recentemente, integrei a comitiva da Força Sindical que participou, em Brasília, do 8º Brics Sindical que, entre outros assuntos, discutiu o futuro do trabalho com direitos e emprego", acrescenta. O Brics reúne líderes sindicais do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.