Brasília - Líderes da oposição protocolaram nesta segunda-feira (4) representação para que o Ministério Público do Rio de Janeiro realize nova perícia nos equipamentos de onde foram retiradas as gravações da portaria do condomínio do presidente Jair Bolsonaro (PSL), onde estiveram os acusados pelo crime de matar a vereadora Marielle e o motorista dela, horas antes do crime.
O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara, e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que ocupa o mesmo posto no Senado, afirmam que o pedido busca afastar "qualquer suspeita de manipulação de prova considerada essencial para elucidar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes".
Para Molon, é preciso se certificar de que a perícia seja feita pelo Instituto de Criminalística do Rio de Janeiro, o que considera fundamental para que "fatores externos não interfiram na elucidação de um crime bárbaro, que acaba de completar 600 dias sem que o mandante tenha sido apontado pelas autoridades."
Registro aponta que Elcio Queiroz um dos envolvidos foi à casa de Ronnie Lessa, suspeito de executar o crime. E sua entrada no condomínio teria sido identificada por alguém que se apresentou como "Seu Jair". Naquele dia, lista da Câmara mostra que Bolsonaro estava em Brasília, e não no RJ. O advogado do presidente disse que porteiro mente e que seria tentativa de atacar imagem de Bolsonaro. E fitas de áudio foram apresentadas à imprensa (após já terem sido periciadas) e provariam que a voz não era a do presidente. Agora, suspeita-se que dois e não apenas um porteiro trabalharam naquela noite no condomínio.
REPORTAGEM
Reportagem da "Folha de S.Paulo" mostra que a perícia feita pelo Ministério Público do Rio de Janeiro nas gravações não avaliou a possibilidade de algum arquivo ter sido apagado ou renomeado antes de ser entregue às autoridades, aponta documento apresentado à Justiça.
Foi com base nessa análise que a Promotoria classificou como falsa a menção ao presidente feita pelo porteiro do condomínio Vivendas da Barra.
As promotoras envolvidas no caso afirmam que foi o policial militar aposentado Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle, quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz, ex-policial militar também envolvido no crime. Há a suspeita de que houve participação de áudio de dois porteiros diferentes.
Documento entregue à Justiça mostra ainda que as bases da perícia foram feitas a toque de caixa na quarta-feira passada, antes da entrevista coletiva sobre o caso. Por isso, os dois senadores da oposição pediram uma nova perícia. O nome do porteiro (ou agora dos porteiros) está sendo mantido em sigilo, bem como a investigação.