Bairros

Wise mira em projeto de empreendedorismo social

Rafael de Paula
| Tempo de leitura: 3 min

Uma nova fase de um projeto exige empenho, dedicação e, antes de tudo, planejamento. Em 2006, quando era um modesto grupo de dança que se apresentava na Praça Rui Barbosa, os fundadores da Wise Madness talvez nem tivessem ideias do papel social que estavam prestes a assumir e da diferença que fariam na vida de muitos jovens de Bauru. Para expandir o atendimento em sua rede de proteção, a ONG entra na sua terceira fase de atuação social. O caminho, agora, é fomentar o empreendedorismo social entre os assistidos e as famílias, especialmente entre aqueles que estão em fase final de assistência.

A marcenaria e a construção civil são as áreas de atuação que estão, ainda, em fase de experimento dentro da Wise. Desde o começo do ano, o coordenador e um dos fundadores da ONG, Anderson Ricardo Mariano, já trabalha realizando pequenos consertos e manutenção, utilizando a marcenaria e a serralheria, com a ajuda de um profissional e ex-voluntário. O objetivo é expandir, aos poucos, as atividades para os jovens como forma de vivência profissional.

Alguns espaços e móveis da própria entidade, inclusive, já foram reformados e, na semana passada, a ONG deu início à construção de um parquinho infantil em madeira. Tudo conta com a ajuda dos pais dos assistidos. O espaço fica em um dos locais de atendimento da entidade, no Conjunto Habitacional Octávio Rasi.

FUTURO

No futuro, o projeto prevê a prestação de serviços e construção de produtos em madeira e ferro. "Queremos engajar esse jovem na sociedade, primeiro fazendo com que continue os estudos. Em segundo lugar, ensinando esses conceitos profissionais e proporcionando algum tipo de conhecimento profissional. Alguns deles, muitas vezes pelo histórico de vida, perderam até a força de sonhar. Mostrar referências positivas para a formação de um cidadão", explica Anderson.

Para o presidente da Wise, Agostinho Rodrigues Júnior, a nova fase é a realização de um sonho de inserir cada vez mais o jovem assistido no mercado de trabalho. "Precisamos muito da ajuda dos empresários para canalizar esses jovens e mostrar para eles que a vida pode ser diferente", destaca o presidente.

NECESSIDADE

De acordo com a coordenação da entidade, a necessidade de ampliar a atuação da ONG se dá porque após os 16 anos, o adolescente não recebe mais a atenção básica financiada por meio do orçamento público.

Porém, ainda carece de muita atenção para a inserção no mercado de trabalho ou em cursos profissionalizantes. "É um importante começo. O empreendedorismo social está muito relacionado a resolver esse tipo de demanda. Muitos saem daqui sem ninguém para recorrer. Com muito custo, conseguimos dar algum tipo de assistência. Porém, sentimos a necessidade de auxiliar também nessa hora", explica Anderson.

PROFESSOR

Cláudio Aparecido da Silva é quem vai ajudar nessa nova fase da Wise. Serralheiro, mas DJ nas horas de festa, Cláudio conheceu a ONG em meados de 2011, em um momento pessoal da vida que exigia muita ajuda. Além das noções da profissão, também conhece bem a área de marcenaria e tem uma história de superação acima de tudo.

"Encontrei na Wise pessoas que confiaram em mim e no meu trabalho na época de dificuldade com as drogas. Eu percebi que se eu continuasse nessa vida eu não ia conseguir nada. Sempre fui sonhador!", diz Cláudio. No começo do ano, Cláudio deixou a função de cuidador no abrigo da entidade para ajudar no novo projeto. "É uma oportunidade de ensinar o que eu sei e também incentivá-los em um novo recomeço", conta o DJ.

MÃO À OBRA

No processo de construção do parquinho infantil em madeira, cerca de 20 pessoas estão envolvidas, desde a concepção do projeto, que contou com o apoio de estudantes da Unesp, em Bauru, até o serviço de montagem. Os jovens e as crianças assistidas pela Wise e os demais integrantes da família serão os grandes responsáveis pela edificação do espaço.

"Quisemos que os próprios moradores do Rasi colocassem a mão na massa e levantassem a estrutura. É importante que participem de forma efetiva da construção desse espaço que servirá à comunidade", explica Anderson. A construção ocorre aos domingos. No último encontro, realizado no dia 3, as bases e a fundação da estrutura foram concluídas. O próximo passo é a estruturação da obra.

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