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Quanto mais robô, melhor!

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Andar pelas ruas, entrar em um restaurante, em uma loja, no ônibus, até no hospital sem um celular na mão vai virar caso de polícia. Ninguém mais toma conhecimento de nada. A ignorância humana chegou ao limite. Em determinados locais as paredes estão cheias de placas avisando que é proibido o uso do celular. E o que você vê? Uma figura humana encostada sob a placa, cega no celular.

No supermercado, funcionários ficam feito estátuas na frente das gôndolas, cegos, apenas enxergando o celular, e você tentando pegar um produto sem conseguir. As pessoas andam pelas ruas como se tivessem sido ligadas no automático ao sair de casa e apenas andam com a cara enfiada no celular. E se você ainda usa o celular como meio de comunicação via fala, não é atendido, especialmente se for em bancos ou nas próprias operadoras de telefonia, sem antes ter que apertar trocentos botões até chegar onde quer, quando consegue.

É o cúmulo da robotização! Ninguém mais se cumprimenta, ninguém se fala, ninguém se olha. O pior lugar para isso é dentro de um hospital. Os funcionários se escondem em salinhas e pensam que ninguém vê, mas estão grudados no celular. Estão atendendo os pacientes e o celular no bolso do jaleco, apitando. E eles alegam que precisam entrar em contatos com médicos. A Medicina à distância tem evoluído muito mesmo. Até cirurgias são feitas por especialistas, de um hospital para outro, utilizando a tecnologia avançada. Mas daí uma enfermeira ou técnico se comunicar com o médico através do celular, sem falar, só por mensagem, dentro do hospital, é o fim.

E ser atendido em uma agência bancária por telefone então, é um verdadeiro calvário. Ou toca sem que ninguém do outro lado responda, ou, entra a gravação mandando você apertar números e mais números até cair a ligação. E você repete a operação, com cara de tonto óbvio, porque já sabe que ninguém vai atender. Se por acaso alguém atender, você um ouve a frase: um minuto por favor. E esse minuto é a eternidade, até a ligação cair.

É o fim dos tempos. Tudo invertido. O despreparo, a incompetência na execução de simples tarefas, a falta de raciocínio, de empatia, está dando lugar a uma maquininha que custa cada vez mais caro e é o sonho de consumo de todos, para então, robotizar o ser humano. Teremos uma geração de analfabetos, nem funcionais, analfabetos mesmo, mudos por opção, e idiotas por consequência! E a quem interessa tudo isso? Ah! Você bem sabe...

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