A ideia de buscar a igualdade e socializar as relações humanas é antiga, mas as experiências a respeito nunca deram muito certo. A não ser por um curto período de tempo, onde havia mais uma euforia da expectativa, do que uma coisa racional bem pensada e natural.
Nos primórdios dos experimentos socialistas, elas eram semelhantes a dos "hippies", onde um grupo de pessoas se reunia no campo para viver juntos a natureza, adotando princípios como a convivência democrática onde todos poderiam participar das decisões, e eram iguais e livres para fazer o que gostavam. Por exemplo: se você fosse músico, então poderia com seu talento divertir o pessoal; se fosse cozinheiro, poderia ajudar no almoço para turma toda. Mas quem iria pro campo abrir valas, plantar, colher, limpar as privadas e pegar no batente? Pois é, espontaneamente era difícil conseguir! Por isso mesmo, as tentativas de se criar uma comunidade democrática com liberdade plena não foi pra frente.
Nos séculos 18 e 19, houve diversos experimentos socialistas com ideias das mais variadas, mas nenhum chegou a se consolidar. Tentou-se implementar sistemas que procuravam romper com a lógica egoísta das empresas privadas, mas procurando aproveitar o que já existia de eficiente em termos de organização e administração, e integrar com alguns princípios sociais como, por exemplo, apoio assistencial e melhor distribuição das horas de trabalho e dos salários. Nesta fase, foram usadas também associações e cooperativas para melhorar os custos dos produtos, além de fortalecer a união da classe trabalhadora. Foi também lançada a ideia de uma economia planificada visando corrigir falhas setoriais para se procurar um bem geral mais uniforme.
Já no século 20, tivemos experiências socialistas mais duradoras, como na URSS (1922 a 1991) e Cuba (1959 até hoje). Em ambas, de início foi abolida a propriedade privada e tudo passou a ser controlado por um governo com total poder absoluto, visando instituir a igualdade social. No começo até houve bom apoio popular devido aos bonitos discursos, onde se falava muito em "igualdade e justiça social" e era jogada toda a culpa nas classes até então dominantes. Lógico! Os discursos induziam as pessoas comuns a acharem que iriam melhorar de vida, imaginando repartir tudo aquilo que antes pertenciam aos mais ricos. Além disso, a igualdade salarial que estava na ideia central do socialismo, com o tempo começou a passar por uma prova de fogo. Para aqueles que apresentavam produtividade ou qualidade de serviço melhor, surgiu o seguinte dilema: qual a vantagem de me esforçar se vou ganhar o mesmo que todos os outros!?
É evidente que não havendo estímulos para um trabalho diferenciado, cai a motivação ocorrendo uma acomodação natural, e a produtividade e qualidade geral tendem a diminuir, nivelando tudo por baixo. Assim, ao se confrontar as expectativas que existiam com a realidade dos acontecimentos, gradativamente a euforia foi diminuindo e a desconfiança aumentando. Com a consolidação do "socialismo real", acabou de fato a liberdade e com ela a democracia, onde a opinião da população passou a não valer nada. Também não ocorreu evolução na qualidade de vida como se esperava: pelo contrário, os recursos para atender as necessidades básicas foram bem reduzidos, pois a geração de riqueza nos moldes capitalista acabou.
Com o descontentamento crescente, para impor o sistema foi necessário a repressão e, depois de muito sofrimento e mortes (na URSS foram mortos cerca de 20 milhões de pessoas e em Cuba 150 mil), vejo todos estes problemas gerados como inevitáveis, pois o socialismo erra ao procurar estabelecer pela força, igualdade em algo que não é naturalmente igual.