O Noroeste começou a preparação para a disputa da Série A3 do Campeonato Paulista do ano que vem trazendo o técnico Luiz Carlos Martins, o que agradou a torcida. Bastante identificado com o clube, onde atuou como jogador e já foi treinador em três ocasiões, Martins é considerado um dos profissionais mais bem sucedidos do País, com 17 acessos na carreira.
No Alvirrubro, ele conquistou o acesso da A3 em 1995, e também o título da competição. Em 1998, comandou a equipe na Série A2 e foi até o quadrangular final, chegando perto do objetivo, e em 2008 foi o treinador durante a Série C do Campeonato Brasileiro, avançando até a segunda fase. Para a A3 de 2020, Martins espera um campeonato equilibrado, com a presença de vários clubes tradicionais do Estado, mas afirma que o Noroeste entrará em condições de buscar a classificação e depois pensar no acesso. Confira os principais trechos de entrevista ao JC.
JC - Como está sendo esse começo de trabalho no clube?
Martins - Vinha negociando com o Noroeste há dois meses, tinha conversado com o Toninho Gimenez e o Estevan Pegoraro e depois acertamos para retornar. Fazia tempo que eu não vinha na parte interna do clube, tinha vindo assistir alguns jogos quando era possível. Tenho um grande carinho pelo clube, fui treinador aqui outras vezes, meu pai trabalhou aqui, nos vestiários das piscinas. Estou feliz, vou me empenhar ao máximo, fazendo o melhor. Agradeço o apoio que venho recebendo da torcida e espero retribuir isso com resultados. No futebol, por mais que você trabalhe, o que precisa é ter resultado. O Noroeste teve a possibilidade de manter uma parte dos jogadores, outros chegando, e vamos procurar fazer o melhor.
JC - E qual o perfil de elenco que você quer ter?
Martins - Estou chegando e vendo os primeiros treinos, a comissão técnica é quem vem atuando mais, eu estou mais nos bastidores, e buscando formar um elenco competitivo. Um elenco competitivo não é só feito com nome, é ter jogadores com responsabilidade com a camisa, com a cidade, com a preparação, e quem se comporta dessa maneira tem muito mais chance de fazer um bom campeonato. Ao chegar, já encontrei 14 jogadores, se a diretoria manteve é porque tem qualidade para ficar, a primeira imagem que eu tive foi muito boa. Agora estamos contratando alguns outros atletas para completar, sempre há uma dificuldade, pois temos a concorrência da Série A1, A2, outros estaduais. Ainda deve chegar mais três ou quatro reforços, um goleiro, provavelmente um zagueiro, um meia e um atacante. Quero trabalhar com cerca de 30 atletas, e só 11 podem jogar, alguém tem que ficar no banco e outros tem que esperar. Por isso quando eu falo em grupo, o jogador tem que entender isso, estar preparado para jogar. Quem está fora precisa deixar a cabeça do treinador um trevo, fazendo bons treinos, bons amistosos, porque aí você tem opções.
JC - O nível da A3 deve ser ainda melhor no ano que vem na sua avaliação?
Martins - Vai ser uma Série A3 muito competitiva, muitos clubes já estão com uma base boa, como o Marília e o Paulista que subiram, e o Linense e o Nacional que desceram. Agora, para dizer mais, precisa esperar chegar em janeiro e ver como foi a montagem de cada equipe.
JC - Em janeiro o Noroeste vai disputar a Copa São Paulo, em Bauru. Pretende aproveitar os atletas da base?
Martins - Sem dúvida, o clube pode inscrever os jogadores na lista A, e os que vem da base na lista B, então permite dar oportunidade aos jovens que se destacarem. Eu fiquei mais de três anos no São Caetano e demos chance a dois jovens que foram bem na Copa São Paulo e depois foram bem no profissional. Hoje, estão em clubes da Série A do Brasileiro. Um é o Matheus Henrique, no Grêmio, e outro o Nonato, no Internacional. Há dois anos, eram jogadores da base do São Caetano, aproveitaram a oportunidade no time principal.
JC - Para essa A3, como pretende trabalhar taticamente?
Martins - O treinador trabalha muito em cima do elenco que tem. Veja o caso do Flamengo, que vem liderando o Brasileiro, joga em um esquema mais tradicional, com dois zagueiros, dois laterais que ficam mais na defesa, quatro jogadores no meio, sendo dois volantes que marcam e sabem ir para o jogo e dois na armação, e na frente dois atacantes que caem bem pelo lado mas com boa finalização. Boa parte ali já ficou muitos anos na Europa e isso faz diferença, mas pensando no posicionamento segue um esquema de jogo tradicional e que me agrada. Gosto de ter um time que marca bem mas com qualidade na saída de bola, com dois meias de armação e dois atacantes. Porém, também vamos trabalhar diversas variações táticas, para mudar dentro de um mesmo jogo a maneira de atuar.
JC - Em dezembro já está acertado que você ficará um período afastado, correto?
Martins - Ao fazer meu acerto aqui para treinar o Noroeste já ficou definido que estarei fora por dez dias, de 10 a 20 de dezembro, para concluir o curso de licença A de treinador na CBF. Mas a comissão técnica já terá toda a preparação definida para esse período, e vou manter contato diariamente. Aí, retornando, ficarei o tempo todo com o elenco. Em janeiro, estamos conversando com a diretoria se faremos uma pré-temporada fora de Bauru por alguns dias, mas nada definido ainda, pois depende de vários fatores, o principal o financeiro.
JC - Você teve inúmeros acessos na carreira e passou por grandes clubes. Teve algum que te marcou mais?
Martins - Em todos os clubes que passei tive bons momentos, foram vários, então é difícil destacar um. Aqui no Noroeste mesmo, se for pegar mais recentemente teve o São Caetano, fiquei quatro anos, conseguimos acesso, mesma coisa com o Mirassol, América de Natal. Já passei pelo Fortaleza, Bahia, Portuguesa, todos são especiais. O que penso agora é em fazer o melhor para o Noroeste e o que estiver ao meu alcance vou fazer. Primeiro é pensar em classificar, depois em acesso, uma coisa por vez. Tendo coragem e vontade já temos a metade do caminho para conseguir o que desejamos.