A primeira precipitação forte da temporada chuvosa deu mostras do potencial dos estragos que podem castigar a cidade nos próximos meses. Na madrugada e manhã deste domingo (10), foram contabilizados 39,9 milímetros de chuva, o suficiente para alagar casas e causar transtornos em alguns pontos da cidade.
Foi o que aconteceu com várias famílias que foram transferidas, em junho deste ano, do acampamento Nova Canaã para a região do Parque Primavera. Uma das moradoras, a dona de casa Samara Cardoso Reis, 30 anos, conta que, como as casas de madeira foram construídas ficam em uma região baixa do bairro, a enxurrada provocada pelo grande volume de chuva acabou invadindo os imóveis.
"A água vem do Cemitério Cristo Rei, com força. Não tem como evitar que entre nas casas. Teve morador que perdeu muita coisa e cada um, aqui, vai ajudando com o que pode", comenta ela, relatando que, na sua casa, a água estragou uma TV, um sofá e uma estante.
Além disso, as chuvas constantes, mesmo fracas, acabaram abalando a sustentação de uma das paredes do imóvel, onde Samara mora com seu filho único, de 2 anos. "As madeiras estão se movendo, pendendo para dentro da casa, e tenho medo de que possam cair. Além disso, um vendaval arrancou parte das telhas. Meu lar está sendo destruído aos poucos", lamenta.
JOSÉ REGINO
No Residencial dos Ypês, no Núcleo José Regino, moradores dos apartamentos do último andar dos blocos também tiveram suas residências invadidas pela chuva de domingo. A água escorreu por pontos de iluminação e infiltrações no teto e nas paredes, causando prejuízos.
A manicure Juliana Nicolau, 34 anos, conta que seu apartamento ficou alagado e que a água caiu sobre os móveis, incluindo camas e colchões. "Minha mãe e meus três filhos nem estão dormindo aqui, porque, sem sol, os colchões não secam. Estão todos na casa da minha avó e as crianças estão perdendo aula", reclama.
Como o residencial integra o programa do governo federal Minha Casa Minha Vida, Juliana já acionou um advogado, com o objetivo de requerer ressarcimento pelos estragos causados, inclusive na pintura do imóvel. "Entramos no apartamento há três anos e temos de pagar parcelas por mais sete anos. Não tem condições de continuar assim", reclama.
A Caixa Econômica Federal, que responde pelo Minha Casa, Minha Vida, foi procurada pela reportagem para comentar o ocorrido, mas não enviou posicionamento, por meio de sua assessoria de imprensa, até o fechamento desta edição.
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