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Segundo turno com três candidatos?

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Contra a polarização, que só interessa aos polarizadores, eis que surge uma ideia descrita aí no título: um segundo turno com três, e não dois, candidatos. Que tal?

A proposta foi "aventada", como alguns gostar de dizer, por Miro Teixeira no programa "Conexão Roberto D'Avila" na "GloboNews". Soou lúdica. Seria viável?

Na histórica (e, em alguns episódios, folclórica) disputa de 1989, com nada menos do que 21 candidatos a presidente, Lula e Collor teriam rumado ao segundo turno com Leonel Brizola, terceiro colocado. Curiosamente, na corrida presidencial de 2018, também um pedetista como Brizola teria medido forças com Bolsonaro e Haddad: Ciro Gomes.

O próprio Miro, jornalista e político, terminou em terceiro, pelo MDB, na eleição a governador do Rio vencida por Brizola no começo dos ano 80. Miro iria depois para o PDT: foi ministro, deputado e candidato derrotado ao Senado, já pela Rede, no ano passado.

Em 2016, por aqui, Renato Purini teria seu nome no segundo turno para disputar o Executivo com Gazzetta e Raul. De uma forma geral, segundo turno com três candidatos faria um bem maior à democracia - ou só tornaria a fase decisiva do pleito ainda mais arrastada e dispendiosa?

Aparentemente, no fim da entrevista, Roberto D'Avila parece ter concordado com a tese de Miro - que, sinceramente, não sei se é adotada em algum outro país. Vale a tese, contudo, em prol da reflexão. Até porque, convenhamos, o Brasil não vai suportar muito tempo mais a guerra retórica entre os extremos donos da verdade que aí estão.

Se você quiser sofisticar a tal reflexão para esse e outros casos enrolados, deixo uma frase atribuída ao filósofo e poeta alemão Friedrich Schiller: "Não temos nas nossas mãos as soluções para todos os problemas, mas diante de todos os problemas temos as nossas mãos".

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