Bogotá - Sindicatos, grupos de estudantes, indígenas e ambientalistas colombianos marcharam nesta quinta-feira na capital e nas principais cidades do país, em uma greve geral para rechaçar medidas como uma reforma trabalhista e outra previdenciária que estão sendo propostas pelo governo do presidente Iván Duque.
Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas, e houve registros de enfrentamentos com a polícia em Bogotá, Manizales e Cali, onde foi decretado toque de recolher.
Segundo as primeiras estimativas do Ministério do Interior, por volta das 16h desta quinta, havia cerca de 207 mil pessoas nos atos por todo o país. E os registros somavam oito civis e 28 policiais feridos, além de dez presos.
"Infelizmente uma série de vândalos estão atacando e saqueando lojas", disse Maurice Armitage, prefeito de Cali, ao jornal El Tiempo. A proibição de circular nas ruas começou a valer às 19h desta quinta e durará até as 6h da sexta (22).
Sete policiais ficaram feridos e 11 ônibus do transporte público da cidade foram destruídos.
Em Bogotá, os manifestantes se reuniram em sete pontos da cidade e marcharam até a praça Bolívar, a uma quadra do palácio presidencial. Uma dezena de pessoas atirou pedras contra o prédio do Congresso, localizado na praça. E um outro grupo acendeu fogo no prédio da prefeitura da cidade.
VÂNDALOS
Milhares bloquearam avenidas e terminais de transporte público. Uma estação do sistema de ônibus rápido Transmilenio foi vandalizada por homens encapuzados, que foram expulsos por outros manifestantes.
No bairro de Suba, região noroeste da cidade, a polícia usou gás lacrimogêneo na tentativa de reabrir uma estação. "?Estudantes que tentavam chegar ao aeroporto internacional da capital entraram em confronto com membros da tropa de choque.
Além de Bogotá, as cidades de Bucaramanga e Medellín registraram forte redução no fluxo de veículos e de pedestres por conta dos protestos. Muitas empresas, universidades e faculdades cancelaram suas atividades por conta da paralisação do sistema público de transporte.
Os manifestantes insistem que Duque - que enfrenta sua pior crise de popularidade desde que assumiu, há 15 meses -, mantenha salários mínimos para os jovens e o direito universal à aposentadoria.