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Ajustando as velas do barco (existência)

Darcy Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Sempre, desde a minha juventude, desenvolvi um desejo embriagador de aprender que a tal ponto, de tempos em tempos, me obrigo a tarefa de destruir anotações que faço e guardo para servirem de base nas constatações que confirmam que "nada se cria, tudo se transforma" ou a história (estória) sempre se repete, uma vez como tragédia e na maioria das vezes como comédia.

Como vivo sozinho, transformo a solidão em um instrumento de análise. Garimpando tais relíquias, quase sempre encontro verdadeiras "pepitas", que como amigo distantes reaparecessem para mitigarem a vida do "ermitão moderno", no qual minha existência se transformou. Eureca! Eis que encontro uma anotação do início dos anos "80", que meu amigo Tuga transformou numa lição de vida.

Pressionado pelos adversários políticos da época que, com o passar dos anos tornaram-se meus amigos, desabafei com o então prefeito: "Tuga, vindo para cá passei pelo comércio central e encontrei o 'Baianinho' com sua vassoura cantando e dançando e sem se preocupar com nada. Confesso que invejei sua vida"...

Tuga, como sempre, com seu sorriso fácil e amigo respondeu-me: "Darcy, nem sempre as coisas são como parecem ser. Existem pessoas que vivem em um estado doentio por terem perdido o contato consigo mesmo e com o que acontece a sua volta. São as pessoas alienadas que buscam o seu "eu" e ser tornaram sua própria negação".

E continuou...

"Existem coisas que não bastam tê-las aprendido só pelas vias do intelecto ou com o meio em que vivem, porque sua prática está fora dela. Para assimilá-las realmente é necessário buscar-se a 'si próprio' e necessitam de ajuda externa"... "talvez com ajuda de profissional". "Essas pessoas não permitem contestação ou contradição, são as chamadas donas da verdade"….

A vida continuou.

Conheci uma pessoa que acreditava possuir um projeto de vida, porém, era apenas um desejo que, como tal, era passageiro e que nada tinha a ver com a ansiedade de ter uma profissão que garantisse bens sociais, monetários e muito prestígio.

Na realidade, nunca possuiu um projeto íntimo. Tentei ajudar essa pessoa a não se queixar da ventania e nem esperar que o vento passasse e simplesmente ajustasse as velas do barco da própria existência.

Como diz um pensamento chinês - "não dê o peixe, ensina-lhe a pescar... Errei ! Me arrependo!...

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