Internacional

Pequim faz ameaças a manifestantes

FolhaPress
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Hong Kong - Um dia após a esmagadora vitória de candidatos pró-democracia em eleições locais em Hong Kong, o governo em Pequim divulgou uma ameaça contra os manifestantes que tomam as ruas da região há quase seis meses. "Não importa o quanto a situação em Hong Kong mude, é bastante claro que ela é parte do território chinês. Qualquer tentativa de minar sua estabilidade e prosperidade não vai ser bem-sucedida", disse o chanceler chinês, Wang Yi, em Tóquio.

O tom foi uma reação ante o tamanho da derrota sofrida pelos candidatos pró-Pequim na eleição para os 18 conselhos locais da antiga colônia britânica, devolvida à ditadura comunista chinesa em 1997 sob a condição de que permaneceria com um sistema político liberal por 50 anos. Em apenas um conselho os pró-China venceram. Dos 452 assentos à disposição, os chamados pan-democratas ganharam 347, independentes usualmente pró-democracia, 45, e os alinhados a Pequim, 60.

Nas ruas centrais da ilha de Hong Kong, uma das partes do território, havia pessoas celebrando a vitória mesmo na noite da segunda (25).

Desde meados do ano, milhares de honcongueses foram às ruas para protestar contra uma lei que facilitava a extradição de acusados para a Justiça da China continental -que não tem o grau de independência do Judiciário de Hong Kong.

O governo da executiva-chefe Carrie Lam jogou a proposta fora, mas a situação escalou, degenerando em violência. Duas pessoas já morreram e quase 5.000 foram presas. Um grupo de estudantes ainda está cercado pela polícia na Universidade Politécnica da cidade.

Ao longo do fim de semana eleitoral, contudo, a tensão arrefeceu. Candidatos pediram para a resposta ser dada nas urnas. No região de Sheung Wan, que na semana passada registrou vários conflitos, policiais em grupos apenas observavam o movimento.

Se o poder dos conselheiros locais é limitado, no ano que vem haverá eleição para Conselho Legislativo, o Congresso local. O órgão tem uma composição intrincada, com metade dos seus 70 membros eleita por indicação de guildas específicas de negócios e indústria. Hoje, os pró-democracia são apenas 24 dos deputados.

Se a tendência oposicionista se mantiver, será um problema para Lam, que encabeça o Conselho Executivo e foi escolhida em 2017 por um colegiado de 1.200 pessoas muito sob a influência de Pequim. Esse é o poder real de Hong Kong, mas que pode encontrar barreiras num Legislativo hostil.

Antes do pleito do domingo (24), ela havia dito que uma "maioria silenciosa" seria contra os protestos na região, ao justificar a brutal repressão policial aos atos. O resultado a fez aceitar que iria "ouvir humildemente" o eleitorado. Sem um gesto do governo alinhado a Pequim e com ameaças vindo do continente, o risco é o da volta de uma espiral de violência.

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