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Oferta de estágio cresce no País

Estadão Conteúdo
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São Paulo - Em meio ao desemprego que chega a 11,8% no País, estudantes em busca de estágio encontram um mercado atualmente cheio de oportunidades. Após uma queda significativa na oferta de vagas em 2015 e 2016, anos mais críticos da crise econômica, o mercado voltou a crescer em 2017.

De acordo com dados do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), o volume de contratações cresceu cerca de 6% em 2018 - ano que finalizou com 382.907 ofertas de vagas de estágio. Neste ano, a tendência é que o aumento seja de cerca de 4% em relação ao ano passado.

"Se considerarmos o mesmo crescimento de janeiro a outubro deste ano para os meses de novembro e dezembro, ou seja, de 3,7%, deveremos fechar o ano com 397.221 vagas, contra 382.907 do ano passado", projeta Marcelo Gallo, superintendente Nacional de Operações do CIEE. Segundo a entidade, a média de efetivação após o estágio é de 50% nas empresas privadas.

Há quem pense que, em tempos de crise, sai mais em conta as empresas chamarem um estagiário no lugar de um profissional formado. Mas não é bem assim, explica Gallo. "Há incentivos fiscais para se contratar um estagiário, pois não existe vínculo empregatício. Ou seja, não tem INSS, 1/3 de férias, FGTS e outros. Mas, para o empregador, contratar alguém sem experiência também é um investimento, por conta da supervisão, da capacitação e do treinamento. Tudo isso tem um custo, então acaba sendo uma troca."

Para Fernando Gaiofatto, gerente da Catho Educação, este aumento no número de vagas - percebido em 10% de 2017 para 2018 no site de empregos - acompanha o crescimento do mercado, de um modo geral.

"O cenário já está mais aquecido e, consequentemente, isso se reflete também no quadro de estagiários", afirma. O que acontece, diz, é que, como a contratação de um estagiário é menos onerosa, ela acaba acontecendo de forma mais rápida.

Mas o mesmo acontece quando a economia começa a apertar. Quando a crise exige reduzir quadro de funcionários, muitas vezes os patrões começam cortando pelo setor de estágios, porque a rescisão é mais barata (equivale aos dias trabalhados mais as férias proporcionais).

É o que explica a queda na oferta de vagas de estágio em 2015 e 2016, quando o PIB brasileiro caiu quase 8%, maior queda da história do País, aponta Renan Pieri, professor de economia da Escola de Administração de Empresas da Faculdade Getúlio Vargas (FGV). "Depois, até as empresas terem certeza de que a economia realmente estabilizou, elas contratam primeiro os modais mais flexíveis, que é o caso do estágio. No entanto, uma vez que o mercado dê sinais mais robustos, aí sim efetiva o estagiário ou contrata um trabalhador mais experiente por meio da CLT", diz Pieri.

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