Entre galhos e troncos carbonizados, que remetem a um passado recente de destruição, o colorido de flores e folhas começa a brotar. Em 5 de outubro deste ano, a reserva ecológica do Jardim Botânico de Bauru foi destruída em quase um terço e, depois de exatamente dois meses, já dá sinais de boa recuperação.
Na área protegida, é possível observar algumas árvores, que haviam sido consumidas pelas chamas, literalmente renascendo das cinzas. E, com a chegada da estação chuvosa, a expectativa é de que o processo ganhe ritmo ainda mais acelerado.
Segundo a bióloga Viviane Camila de Oliveira, chefe da Seção de Coleções do Botânico, as incursões de campo feitas pelas equipes e o sobrevoo na área, realizado com o Águia da PM, demonstraram que aproximadamente 100 dos 321 hectares da reserva, predominantemente formada por Cerrado, foram destruídos pelo incêndio.
Além de dezenas de espécies da flora, animais também foram carbonizados. No trabalho de campo, até o momento, foram localizados dois roedores de espécies não identificadas, um sagui e duas serpentes.
Apesar de toda a devastação, o aspecto positivo é que, diferentemente de outras vegetações nativas, como a Mata Atlântica, o Cerrado possui alta capacidade de regeneração, por ter evoluído em regiões com maior incidência de fogo. Porém, no dia do incêndio, conforme explica Viviane, uma série de fatores contribuiu para que a ocorrência ganhasse maiores proporções.
"As temperaturas estavam elevadas, a umidade relativa do ar baixa e a velocidade do vento muito alta. Além disso, havia uma quantidade grande de braquiária seca. Diante da proporção que o incêndio tomou, não sabíamos como se daria o processo de regeneração", relembra.
RETOMADA
Apesar das condições adversas, folhas e flores de algumas árvores, além de arbustos, começaram a brotar aos poucos. E, progressivamente, a expectativa é de que espécies animais também voltem a viver na área.
"Os estudos e experimentos de fauna e flora nas áreas também já estão sendo retomados, inclusive, para monitorar o retorno de insetos polinizadores", acrescenta a bióloga. Ela explica que, embora os avanços já sejam bastante perceptíveis, a brotação deverá se intensificar após o período de chuvas, que se encerra nos primeiros meses de 2020.
Enquanto isso, os técnicos do Botânico avaliam a necessidade de realizar intervenções na área atingida. Uma das possibilidades estudadas é fazer o plantio de espécies nativas do Cerrado para acelerar o processo de regeneração da reserva e, outra, mais iminente, é providenciar a contenção de gramíneas exóticas (não nativas), como a braquiária, que também estão crescendo.
"Há a necessidade de controle porque elas concorrem com as espécies nativas. Então, estamos estudando a melhor maneira de fazer este trabalho em algumas áreas", completa.