A Educação é um assunto recorrente que motiva um debate inconclusivo. Recorrente, por ser frequente nas conversas e nos noticiários, porque o conceito incorpora comportamentos, competências, moralidade, caráter, conhecimentos etc., tanto no sentido positivo como negativo. Inconclusivo, porque são tantos os que opinam, que tem sido inviável resultar num projeto que tenha consistência para ser implementado. O malogro dos debates não é por falta de boas ideias, mas pelo excesso de ideias sem fundamento e de influência ideológica ou interesseira.
Essa situação tem prejudicado muito o nosso país, deixando-o atrás de países dos quais se encontrava na frente há 70 anos, como é o caso da China, Japão, Coréia do Sul etc. O ensino público, que deve ser universal e igualitário, depois de ter sido exemplar, chegou a um ponto extremo de regressão, difícil de retornar. A escola onde nós, os de mais idade, estudamos era de excelente nível e igualitária. Estudávamos pobres e ricos, brancos e negros, brasileiros e imigrantes sentados lado a lado. Só faltava ser universal, isto é, atingir a toda a população, principalmente na zona rural. Isso seria conseguido se houvesse continuidade, que a turbulência política não deixou.
O "Movimento por uma Escola Nova", na década de 1930, com a participação de grandes figuras da Educação: Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Cecília Meireles, Lourenço Filho, Hermes Lima - contribuiu para a Reforma Capanema, em 1942, que deu as diretrizes e estruturou o sistema nacional. Essa reforma foi melhorada e consolidada em 1961 pela Lei de Diretrizes e Bases - LDB. Deveria, com o tempo, continuar melhorando para acompanhar o progresso, mas foi aí que deu zebra. Em 1971 o Ministro da Educação, Gal. Jarbas Passarinho fez a LDB II e misturou tudo, ensino técnico com ensino acadêmico.
O resultado é o que está aí.
O engano da LDB II foi fazer uma reforma da Educação com objetivo econômico, isto é, preparar mão de obra para o desenvolvimento, quando o objetivo deveria ser o desenvolvimento da própria Educação. Foi essa inversão que criou a barafunda atual porque não é o desenvolvimento econômico que desenvolve a Educação, mas a Educação que produz o desenvolvimento econômico. Daí para frente só tem havido iniciativas frustradas e uma nova inversão, priorizando o ensino universitário, em prejuízo da Educação Básica.
Na divulgação dos resultados do PISA - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, realizado com a participação de 79 países, o Brasil ficou na posição 42 em Leitura; 58 em Matemática e 53 em Ciências. Novamente gerou muitos comentários e muitos palpites e acusações. Enquanto isso, em Cocal dos Alves, cidadezinha no norte do pobre Piauí, há 15 anos que seus alunos vêm colecionando medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática. E existem muitos outros bons exemplos isolados. Quem entende de Educação são os educadores. O que está faltando é a reunião dos pensadores da Educação, sem vezo político ou ideológico, como houve com a Escola Nova, para pensarem um projeto de nação. Aí, quem sabe...