Economia & Negócios

Alvo de operação na PF, Oi anuncia saída de presidente

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - O presidente do grupo Oi, Eurico Teles, anunciou nesta terça-feira (10) sua saída do cargo a partir de 30 de janeiro de 2020.

O anúncio coincide com a operação da Polícia Federal realizada na sede da empresa também na manhã desta terça.

O objetivo das PF foi aprofundar as investigações sobre o uso de firmas de Fábio Luis, filho de Lula, e do empresário Jonas Suassuna para o pagamento de despesas pessoais da família do ex-presidente. A origem desses recursos, segundo a investigação, foram as empresas de telefonia Oi e Vivo.

A suspeita é que repasses feitos pela Oi a empresas ligadas a Lulinha e Suassuna foram feitos sem lógica econômica, mas apenas para beneficiar a família do ex-presidente. Contratos comerciais foram firmados como fachada para dar aparência legal às transferências, dizem os investigadores.

CID MOREIRA

Eles apontam como evidência o fato de vários produtos feitos por essas firmas não terem obtido resultado comercial relevante. Um dos exemplos é a "Bíblia na Voz de Cid Moreira". A Oi teve que uma receita de R$ 21 mil com a comercialização do produto num período em que repassou R$ 16 milhões à Goal Discos, de Suassuna, pelo serviço.

O procurador Roberson Pozzobon, que integra a força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, disse nesta terça-feira, 10, que "as evidências indicam que o maior ativo que o grupo Oi/Telemar buscava na contratação da Gamecorp era o fato de que entre seus sócios estava o filho do então presidente da República".

As relações da operadora de telefonia com a empresa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula, são o alvo maior da Operação Mapa da Mina, fase 69 da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira. Por ordem da juíza Gabriela Hardt, da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a Polícia Federal fez buscas em 47 endereços de investigados.

OUTRO LADO

A exoneração de Eurico Teles segue rito fixado em termo de transição de junho deste ano. Segundo a empresa, a própria data do anúncio estava preestabelecida.

Tanto Teles, como seu potencial sucessor, o COO (Chief Operational Officer), Rodrigo Modesto de Abreu, negaram que a empresa tenha sido beneficiada pelo governo Lula em troca de negócios firmadas com a empresa controlada pelo filho do ex-presidente.

"Qual foi o benefício que essa companhia recebeu de alguém? Essa companhia é só pepino".

Pouco antes de informar sua destituição, Teles afirmou, em alusão à operação da PF, que a "Oi nunca sofreu uma situação dessas". "A PF entrou na minha sala. Se eu estivesse aqui [de manhã], teria aberto a porta para eles", afirmou.

Sobre a Gamecorp, Teles afirmou ter sido uma operação lícita. "Não sei de situação que não tenha qualquer possibilita".

Já Abreu afirmou que as operações apontadas pelo MP como benéficas à companhia foram prejudiciais à empresa.

Segundo ele, o grupo assumiu dívidas bilionárias no processo de fusão com a Brasil Telecom e de participação na Portugal Telecom.

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