"2019 não vai ter". "Ele desistiu". "Estamos livres!". "Vai fazer falta". "Ninguém aguentava mais". "Não tem Natal sem ele". Muita gente caiu na "pegadinha do Rei". Pois não só haverá o especial de Roberto Carlos, dia 20, como o cantor também está nos cinemas com seu show em Jerusalém. Ame-o ou suporte-o.
O fato é que Roberto é o mito mais humano do Brasil. Já há anos habitando o olimpo dos deuses populares inatingíveis, tem, na vida bem real, problemas como qualquer um: perdas atrás de perdas, trauma de infância não equacionado e manias nem todas domadas.
Não sei como, até hoje, não criaram a expressão "hoje eu tô meio Roberto Carlos". Está criada, então. Quando você fica meio brega, mas só meio, um tanto quanto companheiro e afetivo: está "meio Roberto Carlos". Roberto também é, de certa maneira, nosso próprio amadurecimento. Quando criança, em relação a ele, não damos a mínima. Na adolescência é apenas um som que vem e vai, que surge no AM da madrugada e não desperta interesse. Na juventude do rock, renegamos: ainda mais quando toca sem parar na vitrola da tia. Mas é aí que brota a curiosidade.
Com ressalvas, e já na vida adulta, eis que nos rendemos. Esse cara sabe interpretar a alma nacional. Às vezes tem açúcar demais, mas se sal faz mal... Que grande mal há em se deixar adoçar por Roberto?
Ele barra biografias não autorizadas, o que é uma sacanagem. Ele defende o amor e a amizade, o que é uma enormidade. Por ser o ídolo mais humano é, causa e efeito, cheio de nuances em defeitos e contradições. Dono de irritantes virtudes e talentos adoráveis.
Talvez Roberto seja mesmo nosso maior amigo de fé, irmão camarada, o sentimental resumo da nossa jornada.