Cultura

'Pandora': espetáculo sobre arquétipos femininos será apresentado na quinta


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O Teatro Municipal de Bauru “Celina Lourdes Alves Neves” recebe, pelo Circuito SP, o espetáculo “Pandora” nesta quinta, 19. A peça é uma criação de Jaqueline Roversi e Jordana Korich, com direção e supervisão dramatúrgica de Leona Cavalli. O tema do espetáculo são arquétipos femininos, num resgate mitológico que busca refletir sobre a figura da mulher moderna. Uma oficina gratuita de escrita integra a passagem do Circuito SP em Bauru, ministrada por Jaqueline Roversi e Jordana Korich.

O ponto de partida do espetáculo foi uma pesquisa, desenvolvida por três anos pelas atrizes, sobre as mitologias que constituem o arquétipo feminino e suas distorções ao longo dos séculos, que resultaram na imagem da mulher como conhecemos na modernidade.

As referências para o espetáculo são históricas. As atrizes buscaram influências desde as antigas sociedades pré-patriarcais, pesquisando as relações do meio social com o feminino nas tradições de diversas culturas - indígenas brasileiras e nativas americanas, hindu, egípcia, persa, grega, africana, celta, chinesa, asiática e hebraica.

O resultado da pesquisa é a história contemporânea de duas irmãs que se reencontram: uma envolvida com a arte, a pesquisa dos arquétipos femininos e a ancestralidade; a outra, uma mulher prática e independente, que através do trabalho conquistou espaço e respeito num universo tipicamente masculino. O lugar de interseção entre as duas é a família e a memória.

A dramaturgia é permeada pela contação de histórias, que surge como o ponto de contato com as memórias do passado e referência de afeto entre as irmãs. As atrizes levam à cena três contos das culturas grega, hebraica e hindu, respectivamente “Deméter e Perséfone”, “Sophia e a criação” e “Ganesha e Kartikeia”. Tem também a história das icamiabas, conhecidas como as “amazonas brasileiras” que, segundo relatos do frade dominicano Gaspar de Carvajal (1504-1584), teriam lutado contra os espanhóis no século 16 na região da Amazônia.

Leona Cavalli, diretoria do espetáculo, é consagrada no cinema por filmes como "Olga", "Cafundó", "Carandiru", "Amarelo Manga” entre outros trabalhos. Ela ressalta que “nesse momento de tanto radicalismo, é um privilégio fazer teatro e contar histórias que apontem possibilidades de união de antagonismos, de formas diferentes de viver e ser. Essa peça fala do reencontro de duas irmãs, que divergem em quase tudo, mas se reencontram em sua “caixa de pandora” cheia de memórias familiares e histórias de mitos femininos”.

 

O Circuito SP faz parte do programa Juntos Pela Cultura, numa realização da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, com correalização da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru e execução da APAA (Associação Paulista dos Amigos da Arte).

 

Oficina “Nossa Caixa de Pandora”

 

No mesmo dia (19) Jaqueline Roversi e Jordana Korich irão compartilhar sobre o processo criativo da peça numa oficina de escrita de textos de ficção. A proposta é que os participantes pensem em um recorte de sua própria história e a partir dele escrevam um pequeno texto e trabalhem a cena com a orientação do processo. São 10 vagas disponíveis, e a oficina acontece das 15h às 17h. Para participar é necessário se inscrever pelo link: https://forms.gle/UFQyU9MmbFnNGViQ8.

 

Sinopse

A peça conta a história do reencontro de duas irmãs dois anos após a morte da mãe. Janaína (Jaqueline Roversi) jamais saiu da casa da família na serra, onde passaram a infância. Ela mantém um ateliê de artes e segue a profissão da mãe, contadora de histórias, e também estuda mitos e culturas ancestrais. Joana (Jordana Korich), por sua vez, foi embora para estudar na capital e se tornou engenheira. Tem uma visão mais prática da vida, valoriza e persegue a realização financeira.

Joana se vê obrigada a voltar ao lar do passado, pois acaba de ser expulsa de seu próprio projeto por engenheiros e donos de empreiteiras, depois de uma longa luta para afirmar seu lugar num meio tradicionalmente masculino.

Janaína, comemorando o reencontro com a irmã, decide lhe mostrar, pela primeira vez, um baú onde estão guardados os “tesouros” da família, memórias e lembranças das duas, de sua mãe e de antepassados.

Aos poucos revela-se a tensão entre as duas irmãs, e a polaridade de seus universos e expectativas. Janaína se ressente por ter cuidado sozinha da mãe doente até o final, enquanto Joana não aceita que a irmã tenha se apossado da casa da família, única herança deixada pela mãe.

 

Serviço

Circuito SP apresenta “Pandora”

Local: Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”

19 de dezembro, 20h

Classificação indicativa: 12 anos

Oficina de escrita criativa: das 15h às 17h

Inscrições: https://forms.gle/UFQyU9MmbFnNGViQ8

10 vagas. Idade mínima: 12 anos

Gratuito

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