O goleiro Jean, do São Paulo, foi preso na manhã desta quarta-feira (18) em um hotel em Orlando, nos Estados Unidos. Acusado pela mulher, Milena Bemfica, de tê-la agredido durante discussão, o jogador de 24 anos foi capturado pelo Escritório Policial do Condado de Orange, na Flórida. Milena estava com o rosto inchado e com hematomas abaixo dos olhos. O atleta ficou com um ferimento na testa e um corte na perna.
O São Paulo acompanha o caso, mas o caminho é de rescisão do contrato do goleiro, que vai até 2022. Em nota oficial publicada na noite desta quarta, o clube se posicionou. "O São Paulo comunica que tomou uma decisão sobre o futuro do atleta Jean Paulo Fernandes Filho após averiguar detalhes do episódio ocorrido. Por questões legais que impedem qualquer iniciativa durante o período de férias, vigente neste momento, o clube tomará as medidas cabíveis tão logo esta etapa se encerre. O São Paulo não tolera e não admite episódios como os que foram noticiados hoje, de violência contra a mulher", diz trecho da nota.
Na ficha de prisão, publicada no site do Departamento de Correções do Condado de Orange, consta que Jean foi preso às 7h27 (9h27 de Brasília). O motivo foi violência doméstica. O jogador, com a mulher e as duas filhas, passava férias nos EUA após o fim da temporada do futebol no Brasil.
O caso de agressão se tornou público quando Milena publicou vídeos nas redes sociais, denunciando o marido e mostrando nas imagens seu rosto inchado e com hematomas. "Eu estou aqui em Orlando e olha o que o Jean acabou de fazer comigo. Jean acabou de me bater. Gente, socorro! Olha para isso. Jean, goleiro do São Paulo, olha o que ele fez comigo. Eu quero justiça, eu quero justiça!", disse Milena.
Logo após a denúncia, Milena apagou o vídeo e gravou um outro, em que diz estar em local seguro e na companhia das duas filhas. Em uma das postagens, a mulher do jogador do São Paulo divulgou a captura da tela de celular de conversas que teve com o marido após as acusações, onde, Jean faz ameaça. "Parabéns. Terminou com minha carreira. E suas filhas vão passar fome", escreveu o goleiro.
JUSTIÇA
Jean pode ir a julgamento nos EUA ou no Brasil. Para ele responder a um processo fora do País, Milena precisa fazer queixa formal mesmo após ter divulgado o vídeo em que relata as agressões. Ela tem três dias para isso. No Brasil, a situação é diferente. Por se tratar de violência doméstica, considerada uma ação pública incondicionada, o Ministério Público apresenta a denúncia mesmo que a vítima não demonstre interesse.
"Ele pode pegar pena de um ano de prisão, 12 meses em liberdade condicional e multa de US$ 1 mil (pouco mais de R$ 4 mil). Jean pode ainda ficar em liberdade, mas provavelmente com o passaporte retido nos EUA", explica a advogada Larissa Salvador, que atua nos EUA pelo escritório Marcelo Leal Advogados.
Se o caso não for levado adiante na Flórida, o jogador responderá a processo no Brasil. "Ou há o processo lá ou há aqui, porque ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato. Para responder de acordo com a lei brasileira, é importante saber pelo laudo o grau da lesão. Há três graus. O leve, com pena de três meses a um ano; grave, com pena de um a cinco anos; e gravíssimo, com pena de dois a oito anos. Como é aplicada a Lei Maria da Penha, pode haver algumas outras ações, como restrição em chegar perto da vítima e pagamento de pensão", João Paulo Martinelli, advogado criminalista e professor de direito penal da pós-graduação da Escola de Direito do Brasil.
Segundo o Boletim de Ocorrência, Jean agrediu Milena com oito socos e foi algemado pelo xerife do Condado de Orange por "não estar colaborando". Além disso, o documento também relata que a mulher se defendeu com uma chapinha de cabelo e feriu o goleiro com o objeto, em ato de legítima defesa.