O prefeito Clodoaldo Gazzetta já determinou ao Jurídico da Prefeitura de Bauru estudos para a liquidação da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Para iniciar o processo de encerramento da companhia, o ex-vereador Arildo Lima Jr., atual presidente municipal do PSDB, assumirá o cargo de presidente. Ele assume após o afastamento de Edison Bastos Gasparini Jr., por conta da operação 'João de Barro', deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Os setores financeiro e jurídico da Cohab também vão ter mudanças.
O ex-secretário de Finanças Marcos Garcia, servidor de carreira da prefeitura, assumirá como diretor financeiro, na vaga que era de Paulo Sérgio Gobbi. Já a corregedora-geral da prefeitura, Andréa Salcedo Gomes, ficará como gerente jurídica, após a saída de Milton Gimael do cargo.
Tanto Gimael como Gobbi pediram afastamento, seguindo o pedido de Gasparini, que estava como presidente desde 2005, passando pelos governos de Tuga Angerami, Rodrigo Agostinho (PSB) e Clodoaldo Gazzetta. Já a partir do ano que vem, Gazzetta pretende iniciar o processo de fechamento da Cohab. Para isso, o primeiro passo deve ser a assinatura do acordo para pagamento de R$ 430 milhões ao FGTS, através da Caixa, devendo ser assinado na segunda-feira (23). O município tem 72% das ações da companhia.
Pelo acordo proposto, a prefeitura pagará R$ 1,8 milhão por mês e a Cohab mais R$ 500 mil. Serão 20 anos de pagamento, mas a Cohab tem receita própria apenas até 2025, quando terminam praticamente todos os contratos de mutuários ainda vigentes - são pouco mais de sete mil atualmente. A forma como o município assumiria os ativos e passivos deve ser discutidos para, efetivamente, começar a liquidação.
Em 2020, o Orçamento do município tem R$ 20 milhões separados para pagar esse parcelamento.
A venda de todos os imóveis da companhia para abater dívidas também deve acontecer - são pelo menos 600 imóveis, que podem render entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões, em avaliações prévias. A redução do número de funcionários é outra medida a ser tomada pelo novo presidente. Hoje, a companhia tem 65 funcionários e precisará diminuir drasticamente a folha salarial, até porque acumula prejuízos.
GAECO
A operação do Gaeco realizada nesta semana realizou 14 mandados de busca e apreensão, em Bauru, Marília, Arealva e Brasília. Foram encontrados 1,6 milhão em notas de real, 30 mil em notas de dólar norte-americano, e ainda valores menores em notas de euro e libras esterlinas, na casa de Edison Bastos Gasparini Jr. Ele afirmou que o dinheiro se deve a negócios no setor agropecuário e serão informados para a Justiça. O Gaeco ainda investiga contratos assinados pela Cohab com construtoras, onde houve pagamentos antes da formalização de acordos com a Justiça, em suposto favorecimento a essas empresas. O caso está em fase inicial de apuração.