O prefeito Clodoaldo Gazzetta pediu o cancelamento das duas sessões extraordinárias da Câmara que estavam marcadas para esta sexta-feira (20). Na pauta, estavam projetos como a autorização para o financiamento de R$ 46,6 milhões, alterações no organograma com a criação do Instituto de Planejamento (IP) e a concessão da destinação final do lixo. Todos os processos continuam em tramitação na Casa de Leis, mas ficarão para apreciação para depois do fim do recesso parlamentar, em fevereiro do ano que vem.
Oficialmente, Gazzetta alegou que mandará projeto de lei para o encerramento da Cohab, e como este também demandará análise detalhada dos vereadores, preferiu cancelar as sessões. Porém, na Câmara, vários parlamentares comentavam ontem sobre a dificuldade do governo em obter os 12 votos para aprovação dos principais projetos, especialmente o financiamento e a destinação do lixo. O organograma já estava mais pacificado e provavelmente teria votos suficientes.
Em todos os casos, eram necessários 12 votos pois dependem de maioria qualificada para aprovação, ou seja, dois terços do total de vereadores. Pelo menos quatro parlamentares já tinham compromissos assumidos antes das sessões terem sido marcadas. A vereadora Chiara Ranieri (DEM) já tinha avisado na semana passada que estaria ausente caso uma sessão ocorresse agora, pois já tinha viagem programada. Telma Gobbi (SD), Manoel Losila (PDT) e Fábio Manfrinato (PP) também estavam com compromissos marcados e eram dúvida para as sessões.
ARTICULAÇÃO
Com o cancelamento, Gazzetta terá tempo para acalmar a situação política, após três semanas complicadas no relacionamento com a Câmara, por fatores diversos, como a tentativa de prédio próprio na Secretaria de Educação - vetado após mudança em lei de transposição de verba, a discussão sobre o financiamento e a destinação do lixo, que ainda estavam em andamento, e por fim a crise na Cohab após a operação do Gaeco que culminou com a mudança de todo o comando da companhia habitacional.
A avaliação final de aliados próximos ao prefeito é de que o risco de levar projetos ao plenário era maior do que a garantia de obter os votos. Além da própria possível falta de quórum, podendo ter apenas 13 vereadores presentes, a sessão ainda daria espaço para parlamentares de oposição criticarem o governo. A discussão de todos os projetos ficará para depois da volta das sessões ordinárias, sem perspectiva do prefeito em convocar sessões extras em janeiro, ainda no recesso.