Natal - Sem saber ler nem escrever, e com a rotina de ir trabalhar e voltar para casa, o vaqueiro Eldis Trajano da Silva, 36, se viu em um labirinto quando foi preso pela segunda vez na vida.
Foi detido em meados de 2017 no lugar do irmão, Eudes Trajano da Silva, 35, procurado pela Justiça por fuga do regime semiaberto. O vaqueiro ficou por pouco mais de dois anos atrás das grades. Solto no último dia 9, a família sequer tinha notícias dele.
O problema, segundo o juiz Henrique Baltazar, que concedeu o alvará de soltura, é que o irmão Eudes usou a documentação do familiar em crimes anteriores.
No site do Tribunal de Justiça constam processos que deveriam ser atribuídos a Eudes no nome de Eldis.
"Entendi que realmente ele [Eldis] estava preso no nome do outro, porque todas as vezes que o outro [Eudes] era preso, dava o nome dele", conta o juiz.
OUTROS CASOS
Casos como de Eldis não são exceção no país neste ano. Em novembro, foi solto o cabeleireiro Sidney Sylvestre Vieira, 31, depois de ficar 16 meses detido sem provas em Itapecerica da Serra (SP). Ele era suspeito de participar da morte de um homem que diz nunca ter visto.
Em janeiro, o pai do DJ Leonardo Nascimento, 27, conseguiu soltar o filho após uma semana detido suspeito de assassinar um jovem de 22 anos. A única semelhança entre o suspeito e o DJ preso de maneira equivocada era a cor de pele, negra.