Questões ambientais globais sempre são difíceis de acordos, ainda mais em um mundo mais radicalizado em interesses individuais e com retrocessos científicos. O vexame internacional brasileiro na COP-25 vai além da questão ambiental caracterizada como uma "diplomacia fóssil". Em congressos no exterior começamos nossa fala pedindo desculpas pelo governo aqui instalado, não apenas pelo que o presidente falou de Greta Thunberg. A infantilidade com a ninfa tem sido apenas mais um motivo de chacota.
Toda vez que o filósofo fala de ciência, a atenção é despertada para os possíveis impropérios exarados. Conceitos advindos do bom senso nem sempre possuem a necessária base científica comprovada. Conseguiram fazer uma boa analogia da entropia - o aumento da desordem de um sistema - com as questões ambientais atuais. No entanto, não se pode dizer que o Brasil fazia apenas um ingênuo papel de bonzinho, quando, na verdade, a preservação ambiental era o carro chefe de defesa de uma agricultura de larga extensão um pouco mais sustentável do que a dos concorrentes. Na bagunça governamental, esse aspecto econômico também foi perdido.
Nesse sentido, no início de dezembro, foi um tapa na cara o artigo de Ricardo Salles em jornal da capital paulista se chamar "A verdade", quando o governo culpa as ONGs e Leonardo DiCaprio pelas queimadas na Amazônia e o presidente exonera o fiscal do Ibama que o multou por prática de crime ambiental. Nem George Orwell imaginava que o Ministério da Verdade de seu distópico '1984' poderia se tornar trágica realidade.
Fomos tolerantes demais com a ignorância, desprezando-a e minimizando seus efeitos na elite intelectual. Agora, os ignorantes estão no poder, associados à teocracia religiosa e à brutalidade econômica. Por mais que se consigam retratos fiéis dessa guerra cultural, serão poucos os sobreviventes para defenderem um novo renascimento. Os números estão sendo desprezados por um governo que ignora estatísticas de base científica séria, contradizendo a máxima de Malba Tahan de que os números governariam o mundo. Mesmo como vexame internacional, seguimos nessa realidade distópica olavista.