Não a conheci pessoalmente, mas posso atestar sobre a grandeza de sua alma, da agudeza e serenidade de seu espírito, da bondade inigualável que carregava para entregar aos necessitados, porque é uníssona a voz de todos os que tiveram o privilégio de conviverem com Dona Olga Bicudo, a guerreira da paz que presidiu a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Bauru por quase quatro décadas.
Nascida no ano bissexto de 1929, aos 29 de fevereiro, na vizinha e querida Pederneiras, cidade onde também tive a honra de vir ao mundo 28 anos após Dona Olga, dedicou-se, com a obstinação de uma professora e com a bondade, altruísmo e generosidade dos grandes de espírito, à benemerência.
Não é fácil, todos sabemos, dirigir uma entidade do porte da Apae, por um mandato sequer, quanto mais por todos esses longos anos que entregou-se ela a essa instituição, porque assim como todas as outras que cuidam do ser humano, em suas mais variadas e especiais dificuldades, vivem à procura de benfeitores, de almas generosas e abnegadas, que possam contribuir para essa proeza, essa grande façanha e enorme missão: dedicar-se ao próximo com a abnegação de uma mãe, em cumprimento aos desígnios de Deus. É preciso, antes de tudo, amor pelas pessoas, amor pela vida, amor pela entrega despretensiosa ao nosso irmão necessitado, para, a exemplo de Dona Olga, servir àquele cujo silêncio eloquente grita por socorro.
Deus nos presenteou, durante 91 anos, essa alma superior, que veio ao mundo como sendo Dona Olga Bicudo. E agora, após haver cumprido com perfeição, aptidão, talento, enfim, com mestria, volta ao céu, no Dia de Natal, esse presente que nos serviu a todos de exemplo a ser seguido.
Vá em paz aos braços do Criador, querida Dona Olga!