Sustentabilidade do campo à mesa. Este é o objetivo do projeto de pesquisa conduzido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), em Bauru. O trabalho busca analisar possíveis patógenos, parasitas e resíduos de defensivos agrícolas em alfaces produzidas na região e disponibilizadas para a população em situação de vulnerabilidade por meio da Cozinha Comunitária. A unidade fica entre a rua Higa Ancho e a avenida Lúcio Luciano, no bairro Bauru 22 (região do Jardim Redentor), e oferece refeições saudáveis e balanceadas a preços populares.
Com o trabalho desenvolvido pela Apta, as pessoas que consomem semanalmente as mil refeições servidas no espaço têm a garantia de estar ingerindo um produto seguro. Paralelamente, as 600 famílias que adquirem as hortaliças diretamente do produtor onde a pesquisa está sendo realizada também são beneficiados.
COLETA
Para o desenvolvimento do projeto de pesquisa, a Apta coletou amostras de compostos orgânicos usados na produção de alface, água utilizada na irrigação e lavagem das hortaliças, tanque de lavagem, caixas de colheita, mãos de manipuladores, utensílios e as próprias hortaliças durante seis ciclos produtivos.
A coleta das alfaces foi realizada desde a colheita até a finalização do processo de higienização na Cozinha Comunitária. "Com a pesquisa, está sendo possível obter o diagnóstico e buscar melhorias no processo produtivo, visando a produção de hortaliças seguras", afirma Maria Cecília de Arruda, pesquisadora da Apta.
A Cozinha Comunitária foi instalada em Bauru com recursos do governo federal, com contrapartida da prefeitura.
MONITORAMENTO
A pesquisa foi desenvolvida com um produtor rural de olerícolas, com certificação orgânica, e na Cozinha Comunitária. Com o estudo, foi possível fazer um monitoramento microbiológico e as Análises de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) na cadeia produtiva da alface, além da capacitação e conscientização dos produtores para implementação de Boas Práticas Agrícolas (BPA) e Boas Práticas de Manipulação (BPM), as quais contribuem para a garantia da segurança dos produtos.
A saudabilidade dos alimentos é um dos objetivos apresentados no macro programa Cidadania no Campo 2030, em que a Secretaria de Agricultura visa proporcionar ações de educação para toda a cadeia produtiva.
Segundo a pesquisadora da Apta, o estudo detectou falhas no composto orgânico (contaminação microbiológica acima do limite permitido), nos procedimentos de colheita e pós-colheita e a necessidade de ajustes na higienização das hortaliças e utensílios utilizados na Cozinha Comunitária. "Identificamos essas falhas e necessidades e trabalhamos junto a produtores e profissionais que atuam na cozinha para resolver essas questões, melhorando a produção e reduzindo o risco de contaminação", afirma Maria Cecília.
PRÓXIMO PASSO
O próximo passo do projeto é auxiliar os pequenos agricultores da região de Bauru a diversificar a produção olerícola utilizando as boas práticas agrícolas, principalmente no uso de composto orgânico maturado, uso adequado e racional de defensivos e fertilizantes, no controle da qualidade da água de irrigação e na adoção de boas práticas de manuseio pós-colheita.
"Também queremos auxiliar os agricultores na abertura de novos canais de comercialização, como nas cozinhas institucionais", diz a pesquisadora.