Articulistas

Por uma boa conversa

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Bento XVI vai direto ao ponto: não concordo com nada do que você diz. A frase é atirada ao argentino que se tornaria papa Francisco durante uma das muitas conversas que ambos têm no filme "Dois Papas". Ficção. Mas com muito de realidade.

Há um outro filme, não lembro o nome, que descreve suposto encontro entre Lennon e McCartney cinco anos após a separação dos Beatles. Eles vão até disfarçados ao Central Park, em Nova York, e vivenciam uma tarde de prosa e lembranças. Discordam em alguns pontos. Foi totalmente real?

No ano mais polarizado desde as setentistas polarizações é bom fechar o ciclo pensando em incentivar as boas conversas. Que, como se vê nos exemplos acima, nem sempre são de pura convergência. Discordar sem odiar é possível. E uma necessidade vital na sociedade atual.

Ou você acha que os tais três tenores - Plácido, Carreras e Pavarotti - rodaram o mundo em shows nos anos 90 sempre concordando um com o outro? E os três pensadores do momento? Cortella, Karnal & Pondé certamente divergem sem que, por isso, cada um tenha que pensar em duplo homicídio.

Lembro de uma discordância forte em cena do filme "O Quarteto Fantástico". Se fosse hoje, no Brasil, o Tocha Humana já teria ateado fogo nos parceiros de luta contra o mal. Seria um errático desperdício.

Tivemos aí o recente episódio da turma do "Porta dos Fundos". Eu não tinha visto, até ontem, o tal polêmico episódio de Natal. Acho mesmo que, quem se sentiu ofendido, deve se manifestar. Elaborar e difundir sua crítica. Até, vá lá, avaliar alguma medida judicial. Faz parte. Mas jogar bomba na produtora dos caras?!

Resumindo - e não briguem comigo por questionar: queremos o bom combate ou a barbárie sem limites? Como sempre ocorre no fim de um ciclo, só posso desejar divergências úteis e civilizadas para 2020.

E que os exageros se tornem peça do passado. Onde, aliás, toda forma de ódio deveria ficar.

Comentários

Comentários