Tribuna do Leitor

Quase ao final de mais um ano...

Roque Roberto Pires de Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Quem viveu mais de oitenta primaveras vivenciou muitas passagens de estações com as suas particularidades. Há muito e muitos anos ouvia histórias de um tal de Papai Noel que visitava crianças na noite véspera do Natal e, mediante pedidos em cartinhas, deixava um presentinho nem sempre aquele tão sonhado... Ano após ano a história se repete e hoje, como tempos modernos, se repete à exaustão. Aliás, a figura gorda e patusca do velhíssimo Noel não espera mais a véspera do Natal, ao contrário, chega com antecedência, motivada por um consumismo maluco e desenfreado. O aniversariante Menino Jesus tornou-se mero detalhe para muitas crianças que não enxergam Nele o Salvador do Mundo...neste ponto também os pais modernos não prestam também muita atenção... quando uma oração é feita, é feita sempre às pressas, para abertura de uma infinidade de presentes, degustar jantares e ingerir todas, geladas ou não.

Ele olhava essas festas, sempre magníficas, e delas participava mais como expectador, e em respeito à uma tradição nas famílias. Ele preferia, ao chegar ao final de mais um ano rever suas lembranças, puxar pelo que ainda resta de memória e anotar para os pósteros a importância de ter vivido uma vida tão intensa... Olhou para o fundo da alma e viu que seu primeiro ninho de amor havia acabado, sentia-se órfão de seus próprios filhos... afinal, eles cresceram, criaram asas e voaram pelo imenso mundo de Deus para, alhures, construírem seus próprios ninhos de amor... Recordar uma viagem à Santos à bordo de um carrinho da época, valente Gordini, levando a mãe e as crianças para conhecerem, pela primeira vez o mar... suas praias, suas ondas, suas conchinhas sempre munidos de pazinhas para fazer pocinhos, nas areias mornas de um sol primaveril.

Vez por outra, na grande cidade levar os meninos para uma discoteca, quando envergavam simpática boina e suspensórios para calças, um moderno calçado que atendia pelo nome de conguinha... para despertar vocações, um violão de presente que, sequer, foi tocado algum dia. Por falta de uso ficou para sempre abandonado... Com certeza as vocações eram outras... Chegaram os tempos das escolas, da natação e das festinhas de aniversário. As crianças cresceram e cresceram velozmente, assumiram os volantes de suas vidas e de seus próprios veículos para a permanente busca de tantos e tantos sonhos e ilusões... Aos pais, a certeza do cumprimento de seus deveres de orientação de caráter e educação para a vida . Portadores do livre arbítrio, podemos acreditar que em algum momento a felicidade possível será encontrada e isso vai depender de cada um. Em seus lares, ninhos de amor, com certeza terão também seus filhos e nossas netas e netos para reedição dos afetos que, lamentavelmente, em alguns momentos, foram sonegados. A maior sabedoria do mundo, é quando ela chega trazendo o título de bisavô, pois a aprendizagem como pai se aperfeiçoou como avô, e justamente quando se avizinha o poente da vida, assim como o mês de dezembro em cada ano...

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