Ele sonhava em ser jogador de futebol profissional, mas foi após descobrir o teatro que sua vida deu um salto. De Bauru para o teatro nacional, Bruno Ospedal, 28 anos, tem seguido carreira como ator em São Paulo e viajado o Brasil contracenando, principalmente, em musicais. No início, teve orientações do mestre Paulo Neves, em seu consagrado curso.
No começo de dezembro de 2019, Bruno foi indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante pelo Centro Brasileiro de Teatro Para Infância e Juventude (CBTIJ) no Rio de Janeiro, um dos berços do teatro brasileiro. O resultado da premiação deve ser divulgado em março de 2020.
Jornal da Cidade - Conte um pouco sobre suas origens. Soube que você chegou a ser jogador de futebol profissional.
Bruno Ospedal - Nasci em Fernandópolis, mas só nasci mesmo, porque minha mãe queria, por causa da família. Com dias de vida já estava em Bauru. Passei minha infância no Jardim Godoy. Eu era uma criança enérgica, aprontava muito. Meu pai gostava muito de futebol e meu irmão mais velho jogava. E este passou a ser meu sonho também. Joguei bola dos 8 aos 17 anos e cheguei a ser atleta profissional no Noroeste por seis meses. Joguei até contra o Neymar, em campeonatos paulistas, na época em que ele estava no Santos. Jogar bola me deu grande conhecimento sobre meu próprio corpo e meus limites. Sou grato ao futebol.
JC - E o teatro, quando passou a ser opção?
Ospedal - Na infância, eu protagonizava peças na escola, era sempre um dos que mais sabia o texto. Acho que minha mãe percebia isso. Teatro nunca foi uma opção, mas ela falou do curso Paulo Neves e resolvemos que eu me matricularia. Devia ter uns 13 anos. Pouco tempo depois, eu já havia mergulhado naquele universo. Descobri que tinha facilidade em encenar e decorar os textos, me sentia à vontade. Foi aí que o teatro passou a ser mais interessante que o futebol, mas levei as duas coisas, porque acreditava que não iria conseguir me sustentar como ator.
JC - Há 10 anos no teatro e há 6 em São Paulo, quais suas conquistas e atuações mais importantes até aqui?
Ospedal - Me formei em Artes Cênicas pela USC (atual Unisagrado) e continuei fazendo Paulo Neves até me mudar para São Paulo. Por aqui, a peça mais conhecida foi "Balada de Um Palhaço". Lá na Capital, eu tive experiência com propagandas televisivas e o contato com o teatro musical, que me abriu um horizonte. Participo de várias audições. Entre os trabalhos mais importantes que atuei estão "Uma aventura na Neve", que é uma adaptação de Frozen, "A Gaivota", de Kiko Marques, "Retratos e Canções", de Renato Andrade, "O Musical Mamonas", de José Possi Neto, que é irmão de Zizi Possi, e "Aladdin, o Musical", da premiada Carla Candiotto. Nestes dois últimos trabalhos viajamos muito. Com Mamonas, fomos para Natal, Recife, Salvador Rio de Janeiro, Bauru... Foi um trabalho que me abriu portas.
JC - Sua indicação ao prêmio se deu pela atuação em Aladdin, o Musical. Conte-nos mais sobre este trabalho.
Ospedal - Com Aladdin, vajamos para o Rio, Brasília, Campinas e Manaus. Foi um trabalho muito interessante. Eu passei na audição para encenar um animal, um tigre, mas a diretora deu liberdade para criar o personagem e eu consegui fazê-lo crescer em cena. Até que chegou um momento em que era um personagem insubstituível, necessário em cena. Foi o trabalho que mais me abriu portas, nunca imaginei ser indicado a um prêmio. Depois da indicação, recebi convite para testes em outro musical e diretores têm me chamado para audições.
JC - Esta foi sua atuação mais desafiadora? Por quê?
Ospedal - Sim, não parecia difícil no início. A construção corporal aconteceu, mas o mais desafiador foi dar vida ao tigre e preenchê-lo de atitudes, falas, saltos e rugidos. Fisicamente, também, foi algo que me desafiou por ser desgastante. Ficar o espetáculo todo (1h15) em quatro apoios (de quatro) não foi fácil. Nossos ombros e as articulações nãos estão preparados para isso naturalmente. Precisei até de fisio.
JC - Como você avalia o teatro nacional hoje?
Ospedal - Não é uma área fácil. Ou você atinge o ápice ou parece que não é ninguém. É difícil viver de dança, música e teatro, mas é possível. Fama não é sinônimo de qualidade. Tem muita gente conceituada e premiada fora dos holofotes. Infelizmente, não há muito incentivo, mas a cultura é um agente de mudanças para questões sociais. Faz com que as pessoas enxerguem um futuro. Eu agradeço por ter seguido este caminho.
JC - O que espera do futuro?
Ospedal - Eu quero continuar conhecendo todas as áreas e agregando experiências. Tenho vontade de gravar novela, longa metragem e conhecer melhor o cinema. Eu não me considero um ator, mas um artista. Gosto de todas as faces da cultura e o que ela proporciona.