La Paz - A presidente interina da Bolívia Jeanine Áñez ordenou, nesta segunda (30), que a embaixadora do México, María Teresa Mercado, e outros funcionários do governo espanhol deixassem o país em 72 horas. "O governo constitucional que presido decidiu declarar 'persona non grata' a embaixadora do México na Bolívia, María Teresa Mercado, a encarregada de negócios da Espanha na Bolívia, Cristina Borreguero, o cônsul Álvaro Fernández, e um grupo de supostos diplomatas encapuzados e armados", disse Áñez em uma declaração à imprensa. A presidente acusou os diplomatas de "ferir gravemente a soberania e a dignidade do povo e do governo constitucional da Bolívia".
A chanceler do governo boliviano Karen Longaric afirmou que a expulsão dos diplomatas não implica em uma ruptura de relações diplomáticas entre os países, segundo o jornal boliviano El Deber. ? O ministro das Relações Exteriores do México afirmou que se trata de uma decisão de caráter político e instruiu sua embaixadora à retornar ao México para garantir a sua segurança.
Segundo o governo boliviano, a encarregada de negócios e o cônsul espanhóis chegaram à embaixada mexicana em La Paz na sexta (27), juntamente com agentes de segurança "encapuzados e supostamente armados", com a intenção de retirar do país o ex-ministro Juan Ramón Quintana, um dos principais auxiliares do ex-presidente Evo Morales. A Bolívia já havia enviado nota de "protesto enérgico" à Espanha no sábado (28). Madri, porém, negou que a visita fosse "facilitar a partida" de um membro do governo de Morales.
A Espanha também informou que enviará uma missão à Bolívia para investigar a decisão de La Paz de não fornecer salvos-condutos para as pessoas asiladas na embaixada mexicana. Áñez afirma que existem pedidos de apreensão e investigação relacionados a elas.
Depois da renúncia de Evo Morales à Presidência boliviana em 10 de novembro, a embaixada mexicana deu asilo a um grupo de funcionários e pessoas próximas ao ex-presidente - muitas delas foram acusadas pelo governo interino de cometer crimes.
O governo mexicano havia se recusado a entregar o grupo antes que ele recebesse um salvo-conduto para sair do país. A embaixada, então, afirmou que estava sofrendo "intimidação e amedrontamento" por uma "excessiva" presença de serviços de inteligência e de segurança bolivianos no local.