Querido Papai Noel, sei que já entrou nas merecidas férias e deve estar de saco cheio (com o perdão do trocadilho) de receber tantas cartinhas. Mas saiba que esperei toda a correria do Natal passar justamente para que o senhor pudesse dar uma atenção especial a este meu breve (nem tanto assim) bilhete.
Bom, escrevo esta cartinha para pedir um 2020 mais tranquilo para nossa querida Bauru. Este ano que terminou na noite de ontem foi, digamos, turbulento para a Cidade Sem Limites. A começar pelo tal do Aedes aegypti, mosquitinho chato. Mais do que chato, letal! Bauru registrou a pior epidemia de dengue do toda a sua história em 2019, com quase 40 mortes e mais de 26 mil pessoas com a doença.
Eu sei que o senhor deve estar, agora, alisando a barba branca e bravo, porque isso não é sua culpa. Sabemos que é responsabilidade compartilhada de todos nós, seja a população porcalhona - que não faz a sua parte nos quintais e terrenos -, seja o poder público - que não se preparou 100% para o problema. Mas, será que dá pra dar uma forcinha, Bom Velhinho? Nem que seja não dando presentes para quem se comporta mal e ainda insiste em deixar criadouros em casa...
ÁGUA
Outro problema crônico de Bauru que voltou a dar as caras foram as enchentes. E, em 2019, um dos mais trágicos episódios. Luciene Regina do Prado Silva, 43 anos, e sua filha, Bianca Prado da Silva, 14 anos, perderam a vida em março após o carro em que estavam ser arrastado para o Córrego da Grama. Poxa, Noel! Será que não sobrou uma mágica do senhor por aí? Porque parece que, só com sua mágica, tragédias assim poderão ser evitadas na nossa cidade. Falando em mágica, o senhor também poderia emprestar um pouquinho da magia que faz suas renas voarem para que as pessoas aprendam com o exemplo do Cerrado.
FOGO
Em outubro, o bioma em Bauru ardeu em um dos mais lamentáveis episódios contra o meio ambiente. Aproximadamente 100 dos 321 hectares da reserva do Jardim Botânico, predominantemente formada por Cerrado, foram destruídos por um incêndio.
Dizem por aí que o fogo foi criminoso. Quem sabe o senhor não dá uma ajudinha para encontrar quem fez isso? Também iria pedir uma ajuda na recuperação do local, mas nem precisa. Quase três meses depois, a regeneração já é surpreendente, mostrando que a força da natureza é maior do que a maldade humana.
DE FARDA
E por falar em maldade, este foi um ano violento para as forças policiais na cidade. Um dos seus membros, um jovem de apenas 24 anos, foi assassinado a tiros após ir ajudar um acidente de trânsito. O tenente bauruense Felipe Atanázio foi covardemente baleado e teve seus sonhos e futuro interrompidos de forma banal. O homem que o matou acabou trocando tiros com outros policiais e também morreu.
Outro caso que entristeceu a corporação e chocou Bauru foram as mortes do sargento Luciano Agnaldo Rodrigues e do cabo e judoca Mário Sabino Júnior. A investigação do caso ainda segue e a principal hipótese é de que eles tenham se envolvido em um confronto de motivação passional.
Independentemente do que tenha ocorrido, Bom Velhinho, o fato é que Bauru teve um ano violento. Será que dá para dar uma aliviada neste 2020?
INTOLERÂNCIA E PERDA
O senhor pode estar achando que todo ano é parecido e que eu estou exagerando, né? Mas calma lá. Acredita que, em pleno Dia da Consciência Negra, o professor universitário e militante da causa, Juarez Xavier, foi chamado de "macaco" e esfaqueado? Pois é! Não dá para acreditar, né? Tem algo mais simbólico do que isso?
E, para finalizar, em pleno dia de Natal, quando o senhor estava entregando presentes, perdemos a querida Olga Bicudo. Isso mesmo! A "primeira-dama da benemerência" deixou órfãos os milhares de "filhos de coração" que ela tinha na Apae. Uma perda irreparável para a filantropia de Bauru.
Bom, Noel, acho que provei para o senhor 'por A mais B' que 2019 foi um período turbulento na nossa cidade. E saiba que tem muita gente - a grande maioria da nossa população, por sinal - boazinha por aqui e que merece um presentão para 2020! Que tal um ano de muito mais paz, calmaria, amor e, principalmente, empatia! Se rolar, até deixamos um lanchinho na beira da árvore para o senhor! Ah, claro! Vai ser um Bauru. Um legítimo Bauru!