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Reinado de bobocas

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Da verborragia de incultos governantes ao vitimismo de ex-magros famosos, passando pela ostentação diária dos anônimos, viramos o ano com a mesma predominância de bobocas manifestações nas redes sociais. Ou "só-ciais" se reconhecermos que, no expansivo ambiente virtual, há uma profusão de sozinhos.

É como se, ao se exibir da iluminada vitrine pública, todos cometessem o deslize do exagero - sem se importar, claramente sem se importar, com consequências. Consequência disso: banalidades aos borbotões.

Faço arriscado e proposital uso de antigas palavras ("bobocas" e "borbotões") justamente para tentar colocar esse fenômeno contemporâneo em seu devido lugar - um passado, mas que insiste em não passar. Sem amargor: sendo apenas observador.

E com a vívida esperança de que, no nosso 2020 que já chegou cheio de tensões mundiais e algumas baixarias de sempre, possamos evoluir dessa adolescência infantilizada online para um estado de juventude consciente no que tange (outra velha expressão) ao uso de Face, Insta, "insticétera".

Falar o que se pensa sempre será, por essência, um bom mergulho na liberdade de expressão. Pensar demais para se expressar somente em nível raso nunca será assim tão "supimpa".

Termos assim ultrapassados ajudam bem a definir o que muita gente julga ser atualmente "top" - esta, eleita a palavra chata de 2019. Que, aliás, eu também usei no meu Face dias atrás. Talvez num arroubo boboca qualquer, igualmente desejoso de, diante dos outros, reinar.

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