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Professor alerta sobre acidentes com animais aquáticos no verão


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Botucatu - A chegada do verão aumenta a procura por ambientes aquáticos, elevando a frequência de banhistas, mergulhadores e praticantes de esportes nos rios e mares. O contato com animais marinhos e fluviais também aumenta e o início do ano é marcado por notícias de acidentes com essas espécies.

Os problemas mais comuns ocorrem com piranhas (em lagos e represas de todos os Estados do Brasil), águas-vivas e caravelas (que acontecem com maior frequência com banhistas de Santa Catarina e Paraná, mas que também são observados em todos os Estados, atingindo centenas de milhares de banhistas nos períodos de veraneio da região Sul) e, recentemente, com bagres atirados nas praias por pescadores.

O especialista em acidentes com animais aquáticos e professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB Unesp) Vidal Haddad Jr elaborou um material que tem a finalidade de alertar e esclarecer os riscos e cuidados que os banhistas devem ter no verão.

"A entrada do verão faz com que a procura de ambientes aquáticos seja multiplicada, aumentando a frequência de banhistas, mergulhadores e praticantes de esportes aquáticos nos rios e mares. Com isso, o contato com animais marinhos e fluviais também aumenta e o início do ano é marcado por inúmeras notícias de acidentes em humanos em jornais, televisões e sítios da Internet", alerta o especialista.

"Estes acidentes sempre aconteceram, mas receberam destaque a partir do verão de 2017, pela observação seriada no litoral de São Paulo. Estes casos, somados a outros provocados por ouriços-do-mar, são comuns e esperados em todos os verões", detalha.

Confira a seguir, os principais trechos da entrevista do professor Vidal Haddad Jr.

Pergunta - Quais os animais marinhos mais perigosos das praias brasileiras?

Vidal Haddad Jr - Um em cada mil acidentes ou atendimentos de urgência em cidades litorâneas é causado por animal marinho. Os animais que podem provocar acidentes nas praias são os ouriços-do-mar, as águas-vivas e caravelas e alguns peixes venenosos como os bagres e, mais raramente, as arraias e os peixes-escorpião. Outros peixes podem causar traumatismos graves, como os tubarões ou moreias, em situações ainda mais raras.

Pergunta - Como identificar se um animal marinho é venenoso?

Vidal Haddad Jr - Não há uma regra definitiva. Qualquer pessoa sabe que deve evitar a proximidade de um tubarão, mas águas-vivas não podem ser vistas e também podem causar graves acidentes. Na prática, não se deve tocar nenhum animal trazido às praias pelas ondas.

Pergunta - Quais os animais marinhos que mais provocam acidentes nas praias?

Vidal Haddad Jr - Em dados coletados em Ubatuba (SP), 1% do atendimento aconteceu por animais aquáticos. Os mais comumente envolvidos foram os ouriços-do-mar (50% de mais de 3 mil casos), as caravelas e águas-vivas (25%) e bagres e arraias (25%). Entre os peixes venenosos, a maioria absoluta é causada por bagres atirados na areia por pescadores de pequenas redes.

Pergunta - O que é mais perigoso para um banhista: águas-vivas ou caravelas? Como diferenciá-las?

Vidal Haddad Jr - Apesar de ambas pertencerem a um mesmo grupo de animais (cnidários), as águas-vivas são transparentes e raramente visíveis quando na água, enquanto que as caravelas apresentam uma bolsa púrpura ou avermelhada que flutua cima da linha da água, sendo facilmente visível. É importante saber que cnidários permanecem com capacidade de envenenar até 24 horas após estarem fora da água, o que deve ser levado muito em consideração pela possibilidade de crianças brincarem com cnidários encalhados nas praias.

Pergunta - Em que época do ano as caravelas e águas-vivas aparecem mais?

Vidal Haddad Jr - As águas-vivas e caravelas realmente aumentam em quantidade durante o verão, provavelmente devido à época de reprodução dos animais e a chegada de correntes frias de alto-mar em nosso litoral. Isto faz com que os acidentes aumentem neste período e praticamente não ocorram em outros - afinal, nesta época o número de turistas também aumenta nas praias. Os acidentes por ouriços-do-mar também aumentam nesta época, mas somente pelo aumento dos turistas mais descuidados nas areias.

Pergunta - Quais as medidas de primeiros socorros para um acidente com água-viva?

Vidal Haddad Jr - O acidente deixa linhas avermelhadas muito dolorosas, correspondentes aos tentáculos dos bichos. A dor é instantânea e violenta. Deve-se retirar os tentáculos ainda aderidos sem usar as mãos nuas e se fazer compressas de água do mar gelada ou aplicar cold-packs (gelo artificial) sobre um pano para não entrar em contato direto com a pele. A água doce gelada piora o quadro! Banhos com vinagre ajudam a inativar o veneno. Caso haja falta de ar ou batedeiras é importante procurar um hospital com a maior urgência possível.

Pergunta - Como evitar acidentes com águas-vivas?

Vidal Haddad Jr - Nos acidentes com águas-vivas, raramente se vê o animal, que é transparente (a menos que seja uma caravela, que tem um flutuador arroxeado). Quando acidentes deste tipo ocorrem, a melhor coisa a se fazer é deixar a água, pois pode acontecer de haver um grande número destes bichos chegando à praia, mas o mais comum é um animal isolado causando o acidente.

Pergunta - Quais as situações que precipitam acidentes por ouriços-do-mar e quais são as medidas de primeiros socorros para um acidentado?

Vidal Haddad Jr - O ouriço-do-mar é recoberto por espinhos. Ele fica em colônias em paredões rochosos ou em pequenas lagoas que se formam nas marés em terrenos pedregosos entre as praias. Quando pisados, estes se quebram e penetram profundamente na pele da vítima. O acidentado deve ficar em repouso, evitando pisar sobre a área atingida, o que irá introduzir ainda mais os espinhos. Deve-se procurar atendimento hospitalar para extração dos espinhos, o que pode ser uma tarefa muito difícil, uma vez que estes se quebram na pele. Não há envenenamento com as espécies do Brasil, mas a dor pode ser forte.

 

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