Se você procura um filme de cowboy que fuja do convencional, "Damsel", dos irmãos David e Nathan Zellner, é uma opção interessante.
Claro que não tem a consistência de uma obra de Quentin Tarantino, mas é o tipo de filme que tem tudo para dar errado, só que, no todo, nos leva a pensar em alguns aspectos da sociedade contemporânea, o que é um acerto.
Talvez o melhor momento seja a primeira cena em que encontramos um padre em crise voltando da região do Velho Oeste para o mundo dito civilizado.
Avalia que homens bons e maus existem entre índios e brancos e que fracassou na sua tentativa de disseminar o pensamento do Deus cristão.
Tomado de um surto nervoso, sai em ceroulas pela região árida, deixando sua roupa e Bíblia rasgada a um alcóolatra que assumirá o papel de padre. Sua missão será levar um jovem até uma donzela (a ótima atriz Mia Wasikowska, com surpreendentes oscilações entre o engraçado e o trágico) supostamente raptada. Ele deve ajudar na libertação e oficiar o casamento.
Mas tudo se complica - e muito! Nada será o que parecia ser no início e as reviravoltas do enredo trazem surpresas com a entrada de novos personagens que alteram o destino dos protagonistas.
Assim, o roteiro conquista o espectador e alerta para a necessidade de nunca acreditar de primeira naquilo que vemos e ouvimos, seja no cinema ou na vida que consideramos real.