Turismo

Alta gastronomia impulsiona produção de vieira

Lucas Vettorazzo
| Tempo de leitura: 2 min

JA vieira é um molusco tratado como iguaria no mercado da alta gastronomia mundial. Sua concha em formato de leque ficou marcada no imaginário popular pela logomarca da petroleira Shell.

O produto passou a ser mais conhecido dos brasileiros na última década, com a proliferação de programas televisivos de culinária. Salteada na manteiga em frigideira quente ou gratinada no forno na própria concha, a vieira é famosa pela carne branca de gosto suave e textura um pouco mais tenra do que a do camarão ou da sua prima ostra.

Há 25 anos, pescadores da região da Baía da Ilha Grande, no litoral sul do estado do Rio, deram início ao cultivo da vieira brasileira em fazendas marinhas. No ano passado, a produção bateu recorde histórico.

Natural da região, o produto brasileiro seria alternativa ao chileno. Até então, contudo, a vieira só podia ser encontrada na natureza, em quantidade que não sustentava a demanda do mercado em crescimento, que ainda dependeu um tempo do molusco congelado do país vizinho.

O pescador e mergulhador Kazuo Hiroko Odaka, 50 anos, é um dos pioneiros no cultivo do molusco na região. Ele decidiu criar uma fazenda marinha do produto como complemento à receita da pousada e operadora de mergulho Nautilus, na praia de Jaconema, a cerca de 40 minutos de traineira ou a 20 minutos de lancha rápida do centro de Angra dos Reis. O empreendimento é uma sociedade entre Kazuo e sua sogra.

A maricultura de outras espécies já era comum na região desde meados do século passado. Começou nos anos 1970 e 1980 como compensação ambiental a um projeto da estatal Transpetro e também como forma de os pescadores reduzirem perdas com declínio da população de sardinhas no litoral brasileiro e dos períodos de defeso de outras espécies.

A Baía da Ilha Grande já era habitada por imigrantes japoneses fugidos da segunda guerra mundial que encontraram no local um bom ponto para instalar fábricas de enlatar sardinhas.

A produção local da vieira só foi possível com o apoio do laboratório do IED-BIG (Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande). Financiado com dinheiro público do município e do estado do Rio, o laboratório produz desde 1994 as larvas da vieira e distribui gratuitamente aos maricultores.

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