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Esponjas anticâncer no rio Amazonas


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Moléculas promissoras no combate ao câncer também foram localizadas em esponjas coletadas na foz do rio Amazonas, bioma descrito em 2016. Em meio à diversidade local, elas chamaram a atenção por serem abundantes, despertando em Vítor Feire, doutorando, que integra o Grupo de Química Orgânica de Sistemas Biológicos, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, o interesse em estudá-las. Ele analisou um conjunto de moléculas extraídas da esponja Dictyonella e descobriu que as substâncias foram capazes de inibir in vitro a atividade de um complexo enzimático chamado de proteassoma, ação que fez com que elas adquirissem atividade anticâncer. Os resultados obtidos com o trabalho geraram o artigo científico publicado na Revista Journal of Natural Products .

Mesmo com resultados promissores, o pesquisador segue estudando novas esponjas encontradas no rio Amazonas à procura de compostos cada vez mais eficientes. Formado em Química Ambiental pela Unesp, Vítor diz que se interessou pela área para descobrir como podemos utilizar organismos da natureza a nosso favor. "Aqui no laboratório, temos a possibilidade de estudar organismos nunca antes explorados", revela o jovem, que se sente gratificado em atuar nesse ramo da ciência: "Além de fazer o que eu gosto, estou mirando lá na frente para conseguir um remédio que poderá ser utilizado em algum tratamento. Isso é muito recompensador".

MOLÉCULA IDEAL

Diante das centenas de milhares de substâncias produzidas pelos animais aquáticos, identificar moléculas promissoras não está entre as missões mais fáceis. Segundo o professor Roberto Berlinck, coordenador do Grupo de Química Orgânica de Sistemas Biológicos, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, a cada 10 mil novas substâncias descobertas, apenas uma chega efetivamente ao mercado. "É um processo longo, que envolve muitos recursos, tanto financeiro quanto de pessoal. É um esforço humano enorme que exige um alto grau de conhecimento, por isso são tantas equipes trabalhando pelo mundo", diz o docente.

O trabalho que o grupo desempenha compõe os primeiros passos no processo de descoberta de um novo medicamento, funcionando praticamente como um grande "filtro" que facilita o trabalho de muitos cientistas ao descartar ou selecionar substâncias para o prosseguimento das etapas. O docente afirma que, atualmente, o custo total para desenvolver um novo fármaco gira em torno de $ 500 milhões e o tempo de espera pode variar de 10 a 20 anos. "Temos que ser certeiros na seleção", afirma o docente, que prefere estudar locais ainda pouco explorados.

Um deles foi a Antártica, onde a Professora Lara Sette, da Unesp de Rio Claro, colaboradora de Berlinck, coletou no substrato terrestre um fungo com grande potencial, chamado de Geomyces. Após testes in vitro no laboratório do IQSC, foi descoberto que o fungo produz substâncias promissoras no combate a doenças causadas por parasitas, como malária e leishmaniose. "Sabemos que o fungo possui um conjunto de moléculas interessantes, agora vamos estudá-las uma a uma para saber quais são as mais efetivas", explica.

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