Rio de Janeiro - O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) gastou R$ 48 milhões em relatório de investigação externa referente a operações entre o banco e as empresas JBS, Bertin e Eldorado, entre os anos de 2005 a 2018. A auditoria não encontrou indícios de corrupção em oito operações investigadas.
O banco divulgou em 10 de dezembro que o relatório indicou que não foram encontradas evidências diretas de corrupção, influência indevida sobre a instituição ou pressão por tratamento diferenciado na negociação, aprovação e/ou execução das oito operações investigadas.
Na ocasião, o BNDES divulgou que entregou a íntegra da auditoria, que não é pública, para a Procuradoria-Geral da República. O resumo do relatório foi disponibilizado no site do banco e tem oito páginas.
O presidente da instituição, Gustavo Montezano, já havia dito em reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Deputados, em agosto do ano passado, que a instituição havia gasto até então R$ 45 milhões com a investigação sobre os contratos assinados pelo banco com a JBS em anos passados - o valor de R$ 48 milhões é atualizado.
A investigação foi iniciada em 2018, promovida pelo escritório Cleary Gottlieb Hamilton & Steen LLP, e buscava apurar evidências de suborno, corrupção ou influência indevida nas atividades do BNDES.
Quando assumiu o banco, em julho do ano passado, Montezano prometeu "explicar a caixa-preta do BNDES para a população brasileira". Ele entrou no lugar de Joaquim Levy, que pediu demissão no mês anterior, após não conseguir abrir a tal caixa-preta da instituição, promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro.