Pesca & Lazer

Comissão de recepção - 1


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Continua pescando? Caminhando por aí, me deparo com alguns conhecidos que perguntam-me num breve encontro involuntário se continuo pescando. A resposta é a mesma de oito anos passados, um não tão desapontado que o interlocutor deve ter compreendido minha desistência como um ponto final desse lazer, sem glória. A vontade de preparar as tralhas, acomodá-las na caminhonete e com os companheiros de sempre enfrentar a estrada por 12 horas para aportar ao destino é a mesma dos 30 anos de pescarias realizadas ao menos duas vezes ao ano. A resposta negativa à indagação do conhecido recusou a revelar as razões pelas quais aposentei definitivamente o material de pesca deixando-o no merecido repouso guardado na edícula da casa onde resido. Não há como negar o cansaço do corpo causado pela longa distância a ser percorrida de veículo até ao rancho, e na pesca, suportar demoradas horas sentado em um barco desconfortável, notadamente quando o dia está carente de peixe. O que era um passeio dos mais agradáveis, se transformou em horas de impaciência coincidente com a chegada da idade e, com ela, o inafastável problema de saúde que foi uma das razões a aconselhar o encerramento dessas incursões, curvando-me, a contragosto, ao velho adágio que nem tudo é para sempre. O rio Paraguai, na região de Porto Esperança, não deixava o mais jejuno pescador voltar para casa sem a caixa de isopor lotada de peixes adultos, desenvolvidos com alimentação encontrada no seu próprio reduto dentro da vegetação, crustáceos e frutos despencados das árvores lindeiras ao rio, daí porque sua carne de superior qualidade, muito além ao da mesma espécie criada em cativeiro. A redução do grupo de amigos de pescaria também influenciou na decisão. A pescaria embarcada percorrendo diversos pontos do rio Paraguai com paisagens fascinantes de pássaros e animais, com toda essa oferta de atrações, acabou por desestimular a pesca em muitos bons lugares daquela região, em face do sumiço de peixes. Pescaria sem peixe é monótona, enfadonha e sonolenta. Não dá. Não houve outro jeito de recordar saudosamente as pescarias e seus vários acontecimentos senão registrá-las e divulgá-las às pessoas que por elas se interessam através de narrações escritas nos periódicos, como venho fazendo paralelamente com outros escribas no JC. Em determinada estada no rancho do rio Paraguai junto aos companheiros Luiz Pegoraro, Pedro Gonçalves Cardoso e João Costa Gomes, combinados pescar dourado na corredeira que dá frente para o lugar conhecido por aeroporto, uma referência a uma pista de aeronaves abandonada que serviu a aviões de pequeno porte em viagens dos oficiais do exército ao Forte Coimbra. Naquele lugar, o rio faz uma curva sobre pedras enormes formando corredeira ideal para o dourado mostrar sua destreza e provar que é o peixe da água doce mais rápido e voraz de todos, atacando sua presa, não raras vezes, sendo observado na lâmina da água aos saltos perseguindo outros peixes, num atormento que termina sempre favorável aquele que está ao encalço. Uma cena admirável que tive a chance de presenciar algumas vezes. Quer saber mais? Leia na próxima semana.

Alfredo Enéias Gonçalves d'Abril, pescador aposentado

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