Parece óbvio, mas convém destacar que a educação não deve idiotizar as pessoas. Antes, deve libertá-las da indústria cultural que exerce controle sociocultural e impõe de várias formas o adestramento do pensamento, dos valores e das culturas, estimulando, sobretudo, as de consumo e a busca da felicidades na materialidade da vida. É comum no continente americano, onde está localizado o Brasil, as populações se abaixarem aos ditames dos EUA, endeusando-os por conta da imagem que constroem e divulgam sobre si, por meio de altos investimentos utilizados na construção de uma imagem que não condiz com a realidade.
A indústria do cinema/seriados/games estimula a violência e banaliza a vida. Para compreensão da realidade sociocultural, não há forma independente e livre, mas há uma que se for melhor organizada pode, sim, desenvolver nos homens a capacidade de duvidar, de questionar e de buscar, por meio da autonomia e do conhecimento histórico, uma compreensão mais inteligível e apurada da realidade, indo além das aparências. Cabe à educação na escola e fora dela despertar o ser cognoscível e inquietante, que seja capaz de valorizar a vida prioritariamente! Ah, a vida, a única razão, a maior de todas as razões! Parece simples, mas não é! Libertar o ser, exigindo dele uma leitura do mundo e de si próprio, impõe o pensamento filosófico.
Saber pensar e refletir sobre as coisas do mundo impede a dominação, a doutrinação, inclusive a religiosa, negativa, alienante e até com a ação predatória do charlatanismo. O entendimento da organização sociocultural para além das apostilas preparadas para aprovação no vestibular! Educação não é isso! Não deve se voltar para os cálculos do metro quadrado da construção civil ou para o desenvolvimento de tecnologias e algoritmos para sabe-se lá o quê.
O mercado está dando notícias de disponibilização de plataforma digital de professores! Alto lá! Antes disso, há de se saber a serviço de quem se está a trabalhar! Se para o bemol não, da imensa maioria, se para a vida ou para a morte. Não se corromper de forma quase natural, certo de que ao final se olhará para a história individual e se orgulhará da sua contribuição para o mundo, no tempo de vida.
Para tal, há que se saber fazer boas escolhas que enriqueçam os 70 ou 80 anos de uma vida no planeta. Uma vida rica, não é uma vida materialmente rica como a que a indústria cultural incute diariamente, inclusive com o controle dos canais de televisão pagos e a extinção dos canais educativos, com a supremacia da língua inglesa sobre as demais línguas das várias nações.
A vida rica é aquela em que vários sujeitos socioculturais inteligíveis se desenvolvem a ponto de criarem sociedades nas quais não hajam primitividade, corrupção e promiscuidade e na qual o homem se orgulhe de ser digno e sensível.