Brumadinho - Às 9h09 deste sábado (25), tocou-se um sinal para fazer silêncio. Enquanto isso, 272 balões brancos eram soltos na base do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais próxima à mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG). Ao fundo, cruzes brancas lembravam o nome de cada uma das vítimas da tragédia de um ano atrás.
Perto desta hora, no ano passado, Josiane Melo, 38 anos, recebeu a última mensagem da irmã mais velha, Eliane, 39 anos. Ela estava com os sobrinhos e a mãe em um hotel fazenda, no último dos cinco dias de férias que havia tirado.
Josiane é engenheira civil da Vale e está de licença desde o rompimento da barragem. Com a irmã, ela perdeu o supervisor, colegas e amigos de 15 anos de carreira. Ela é a presidente da Avabrum, a associação criada para reunir familiares e vítimas da tragédia, que é idealizadora do memorial em homenagem às vítimas. O rompimento da barragem B1 deixou 270 mortos na contagem oficial - 259 identificados e 11 ainda desaparecidos. As famílias contam 272 mortes, incluindo dois bebês que estavam nas barrigas das mães, como Maria Elisa.
O memorial será construído em um sítio comprado pela Vale, próximo ao campo de futebol onde eram colocados os corpos resgatados da lama pelos Bombeiros e à igreja que funcionou como primeiro ponto das equipes de resgate.
DENÚNCIA E HOMENAGENS
O prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo Barcelos (PV), lembrou da denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais, esta semana, onde 16 pessoas foram acusadas por homicídio doloso e crimes ambientais.
Também foram entregues placas a quem prestou serviços pelas consequências do desastre nos últimos 365 dias. A entrega da placa ao chefe do Corpo de Bombeiros e aos Bombeiros foi aplaudida em pé pelas famílias das vítimas. No caminho entre Mário Campos e Brumadinho, uma faixa agradecia o trabalho da corporação na mais longa operação de buscas do Brasil.
Outra faixa lembrava que 20 pessoas da cidade vizinha estão entre os 270 mortos. Outra, pediam justiça em nome das vidas perdidas.